Brunno Santos: segurança, direitos autorais e regulação da IA de voz

Ouvir esta notícia

IA de voz no Brasil: Brunno Santos, da ElevenLabs, fala sobre segurança, direitos autorais e regulação

Como a ElevenLabs tenta impedir fraudes, respeitar direitos autorais e crescer no Brasil

A entrevista da semana do Portal Top Of Offers Brasil traz Brunno Santos, General Manager da ElevenLabs no Brasil. O executivo ingressou na empresa neste ano com a missão de ampliar a carteira de clientes corporativos. A ElevenLabs é reconhecida globalmente por soluções de síntese de voz ultrarrealista, clonagem de voz, dublagem e geração de efeitos sonoros com IA. Com formação em Administração de Empresas pela Delta State University (EUA), ele também tem MBA executivo pela FGV e aperfeiçoamento em Marketing pela Akron University (EUA). Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de tecnologia como Cisco, Dell e Facebook.

Na edição mais recente da newsletter Outro Prompt, Brunno tratou das implicações éticas do áudio hiper-realista, do cenário regulatório e dos planos da ElevenLabs para os próximos anos. O tema é contemporâneo e relevante: como equilibrar inovação com responsabilidade, principalmente quando a tecnologia pode reproduzir vozes com qualidade impressionante?

Para responder a essas questões, a ElevenLabs aponta uma linha de defesa que começa na própria arquitetura de seus produtos. O eixo é o Safety by Design, com camadas de proteção incorporadas desde o conceito inicial. Mesmo desenvolvendo modelos com pesquisa proprietária, a empresa mantém controle de riscos e governança por meio de mecanismos como voiceCAPTCHA, verificação de identidade e criptografia de ponta. Além disso, a empresa tornou público o AI Speech Classifier, uma ferramenta gratuita, acessível pela web, que permite verificar rapidamente se um áudio foi gerado pela tecnologia da ElevenLabs. Ao facilitar o acesso a esse recurso, a companhia busca normalizar a checagem de autenticidade e ampliar a proteção para a sociedade.

Entre as medidas de segurança, destaca-se o zero retention, que impede o armazenamento de dados de usuários, além de mecanismos de bloqueio contra o uso não autorizado de vozes. A ideia é simples, mas essencial: só com traçabilidade clara e responsabilidade compartilhada entre desenvolvedores e usuários é possível escalar a IA de voz de forma segura e confiável no cenário global.

Outro ponto que ganha destaque diz respeito ao trabalho com conteúdo musical. No lançamento recente do Eleven Music, o modelo foi treinado com conteúdos licenciados, obras próprias e parcerias estratégicas com plataformas como Merlin e Kobalt, reconhecidas no ecossistema musical independente. Isso garante que artistas e compositores participem ativamente do desenvolvimento e sejam remunerados de forma justa. Além disso, foram implementadas barreiras técnicas ativas para reduzir o uso indevido de propriedade intelectual: filtros impedem prompts para imitar artistas específicos ou inserir letras protegidas, tornando o conteúdo gerado mais seguro para uso comercial e com menor risco de litígios.

Quando o assunto é regulação, Brunno aponta um movimento de proximidade com as discussões globais e com órgãos reguladores. A ElevenLabs participa de iniciativas internacionais, como a C2PA, que promovem autenticidade e transparência em conteúdos sintéticos. No Brasil, a empresa se antecipa a potenciais exigências com soluções como o Voice Captcha, que exige verificação ativa de consentimento antes da criação de uma voz sintetizada. Tudo isso está alinhado aos princípios da LGPD e à proteção dos direitos de personalidade. Em paralelo, a transparência é fortalecida por ferramentas como o AI Speech Classifier, que ajuda a identificar áudios gerados pela plataforma e pode apoiar o combate à desinformação. Para a ElevenLabs, uma regulação bem desenhada aumenta a segurança sem sufocar a inovação, e a empresa diz estar preparada para se adaptar rapidamente a novos marcos no Brasil.

Mas a inovação não para por aí. No dia a dia, a empresa também aponta horizontes de crescimento em verticais com potencial para maior impacto. Segundo Brunno, o raio X de oportunidades passa pela experiência do cliente, especialmente em setores como finanças e tecnologia, onde a interação com clientes pode ser mais fluida, segura e governável. Além disso, observa-se uma demanda crescente no setor educacional, com tutores personalizados e tradução em tempo real, ampliando o alcance de conteúdos com precisão. E, por fim, a saúde digital e a acessibilidade aparecem como pilares consistentes, preservando a identidade vocal de pacientes e promovendo interfaces mais humanas para pessoas com deficiência. Em resumo, em todos esses cenários a IA atua para escalar a empatia por meio de experiências hiperpersonalizadas que antes pareciam inalcançáveis.

No fronte brasileiro, o país aparece como um mercado-chave na estratégia global da ElevenLabs. De acordo com Brunno, o Brasil já figurar entre os dez maiores mercados em volume de uso, estar entre os top 3 em visitas ao site global e no top 5 em número de assinantes mostra uma comunidade engajada e aberta a novas experiências. Com presença local, a ElevenLabs pode converter esse engajamento em soluções de IA de voz cada vez mais ajustadas a sotaques, entonações e preferências regionais, fortalecendo o movimento voice-first na América Latina. Além disso, a infraestrutura global de baixa latência garante experiências em tempo real, seguras e escaláveis para clientes corporativos. A personalização de vozes e “personalidades” reforça o compromisso com uma experiência natural e relevante para o público brasileiro.

Em termos de parcerias e ações para o futuro, a parceria com o ator Fábio Porchat ganhou destaque e reforçou o interesse do mercado brasileiro em explorar IA de voz de forma criativa e responsável. Olhando para 2026, Brunno antecipa uma agenda rica: novas colaborações com educação, saúde, mídia e acessibilidade, além de iniciativas como o Impact Program e os ElevenLabs Grants, com objetivo de ampliar o acesso — gratuitamente ou com subsídio — a organizações, criadores e desenvolvedores. A proposta continua a ser democratizar o acesso a vozes sintéticas de alta fidelidade, transformando discussões éticas em usos práticos que atendam às necessidades cognitivas e linguísticas da população brasileira.

No fim das contas, para o leitor comum, a pauta é simples de acompanhar: tecnologia de ponta, responsabilidade compartilhada e um ecossistema que tenta equilibrar inovação com proteção aos direitos. A despeito dos avanços, o recado é claro: a adoção responsável da IA de voz pode trazer ganhos reais para educação, serviços, comunicação e acessibilidade — desde que haja confiabilidade, transparência e respeito aos limites legais e éticos. E você, leitor, já pensou em como uma voz digital pode mudar o seu dia a dia com mais empatia e menos riscos?

O que achou deste post?

Jornalista

André Santos

AO VIVO Sintonizando...