Enquanto Brasil fica em silêncio, mais sete países aceitam entrar no Conselho de Gaza de Trump
Sete países de maioria muçulmana aceitaram o convite para a nova organização de Trump, enquanto Putin, da Rússia, afirma que está considerando participar.
Enquanto o Brasil permanece sem declarações públicas, o Conselho da Paz criado pelo presidente Donald Trump ganhou adesões de sete nações de maioria muçulmana. Além disso, Israel confirmou publicamente sua participação em comunicado separado, e houve relatos de outras lideranças que já haviam se comprometido com o convite. Segundo a agência Reuters, até aqui cerca de 35 líderes mundiais já manifestaram publicamente a intenção de integrar o órgão. Nesta quinta-feira (22/01), Trump apresentou oficialmente o conselho durante uma cerimônia no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, ressaltando que “muitas coisas boas estão acontecendo” e que as ameaças que pairavam sobre a Europa, a América e o Oriente Médio “estão realmente se acalmando”.
Na prática, a semana trouxe também anúncios de movimentos internacionais. Noite adentro, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que já havia aceitado o convite, embora tenha acrescentado que o país continua analisando a proposta. Segundo a Reuters, o líder afirmou ainda que a Rússia está pronta para disponibilizar US$ 1 bilhão a partir de ativos congelados e que vê o conselho como relevante, especialmente para o Oriente Médio.
Inicialmente, havia a expectativa de que o órgão buscaria pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas e supervisionar a reconstrução de Gaza. No entanto, o estatuto apresentado não menciona explicitamente o território palestino e parece ter sido pensado para substituir funções da ONU. Em paralelo, a Arábia Saudita destacou que o grupo de países de maioria muçulmana endossa o objetivo de consolidar um cessar-fogo permanente em Gaza, apoiar a reconstrução e avançar rumo a uma “paz justa e duradoura”.
- Arábia Saudita
- Turquia
- Egito
- Jordânia
- Indonésia
- Paquistão
- Catar
- Emirados Árabes
- Bahrain
- Argentina
- Albânia
- Armênia
- Azerbaijão
- Belarus
- Hungria
- Cazaquistão
- Marrocos
- Vietnã
No âmbito das nomeações, o anúncio da Casa Branca na última sexta-feira (16/01) ressaltou sete integrantes do Conselho Executivo fundador, incluindo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado para o Oriente Médio, Steve Witkoff, o genro de Trump, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Já o político Nickolay Mladenov, da Bulgária, foi designado como representante do Conselho de Paz em Gaza na segunda fase do plano, que envolve reconstrução e desmilitarização, com mandato autorizado por uma resolução da ONU até o fim de 2027.
Enquanto isso, a imprensa israelense informou que a composição do Conselho Executivo para Gaza “não foi coordenada com Israel” e que a inclusão de representantes da Turquia e do Catar — países que ajudaram a mediar o cessar-fogo anterior — foi recebida “à revelia” pelo governo de Tel Aviv. Na primeira fase, Hamas e Israel chegaram a um cessar-fogo, com troca de reféns e prisioneiros, e uma retirada parcial das forças israelenses, além de maior entrada de ajuda humanitária. Contudo, Israel afirma que só avançará para a segunda etapa se o Hamas entregar o corpo do último refém morto.
O próprio processo de cessar-fogo continua instável. Pelas contas do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, mais de 460 palestinos teriam morrido desde a vigência do acordo, enquanto o Exército de Israel aponta três soldados mortos no período. A guerra teve início em 7 de outubro de 2023, quando um ataque do Hamas lavrou uma reação de grande escala de Israel, resultando em cerca de 1.200 mortes e mais de 251 reféns, desencadeando uma mobilização que já levou mais de 71 mil vítimas em Gaza, segundo autoridades locais.
Mas o que tudo isso significa para o leitor comum? No fim das contas, o movimento aponta para uma tentativa de reorganizar o mapa de influência regional, com o objetivo declarado de cessar o fogo de forma estável e promover a reconstrução de Gaza. Resta acompanhar como as negociações e as adesões evoluirão nos próximos meses e que papel de fato cada país poderá desempenhar nesse cenário