Brasil e Índia assinam acordo estratégico para hardware e terras raras

Ouvir esta notícia
PM addressing the Joint Press Statement with the President of Brazil, Mr. Luiz Inácio Lula da Silva at Hyderabad House, in New Delhi on February 21, 2026.

Brasil e Índia fecham acordo estratégico para hardware e terras raras voltados à tecnologia

Parceria foca no suprimento de semicondutores e componentes para IA, smartphones e veículos elétricos; países buscam reduzir dependência da China na cadeia global de tecnologia

Em Nova Délhi, durante agenda oficial, o Brasil e a Índia anunciaram uma parceria de peso voltada ao fornecimento de minerais críticos e terras raras. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, neste sábado (21). O objetivo central é assegurar a base física necessária para a produção de semicondutores, baterias e dispositivos de alta complexidade, fortalecendo a autonomia de ambos os países em um cenário de cadeias de suprimento globais instáveis.

no dia a dia, a atuação conjunta não se resume à mineração bruta. Trata-se de construir a infraestrutura essencial para a indústria 4.0, com cooperação técnica e de investimentos que vai mirar minerais vitais para três grandes pilares.

  • Mobilidade e energia: baterias de alta densidade para veículos elétricos e células fotovoltaicas para painéis solares;
  • Hardware de consumo: componentes para smartphones e eletrônicos de última geração;
  • Defesa e aeroespacial: motores de jatos e sistemas de mísseis que exigem ligas metálicas ultrarresistentes.

Segundo o governo brasileiro, o propósito é fazer o Brasil deixar de ser apenas exportador de matéria-prima e passar a integrar a cadeia de valor agregado, processando esses materiais internamente para gerar tecnologia própria. Foco em IA e independência da China acompanham a assinatura, que ocorreu no contexto de uma cúpula global sobre Inteligência Artificial. A ideia é que a infraestrutura de dados e processamento dependa diretamente desses minerais.

Para a Índia, o movimento surge como estratégia para reduzir a dependência tecnológica da China, hoje líder no refino de terras raras. Já o Brasil entra na partida com o papel de grande potência de recursos, abrigando a segunda maior reserva mundial desses minerais. Como destacou Modi, o entendimento entre as nações é fundamental para construir cadeias de suprimento resilientes diante das tensões geopolíticas globais.

A parceria também funciona como espelho do comércio entre os países, que já ultrapassou os US$ 15 bilhões em 2025. A meta agora é chegar a US$ 20 bilhões até 2030, com peso relevante para inovação e energia renovável. E, após o acordo na Índia, a comitiva brasileira segue para a Coreia do Sul, onde pretende se reunir com o presidente Lee Jae-myung e participar de um fórum empresarial voltado a semicondutores e eletrônicos, em busca de novos investimentos para o parque industrial brasileiro.

O que achou deste post?

Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

AO VIVO Sintonizando...