Brasil e Coreia do Sul ampliam cooperação em minerais e comércio

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Brasil e Coreia do Sul concordam em ampliar cooperação em minerais e comércio

Em Seul, Lula e Lee Jae Myung lideram encontro que sinaliza parceria estratégica e expansão de áreas-chave como comércio, minerais e tecnologia

Em Seul, o presidente Lula participou de uma reunião de cúpula com o presidente sul-coreano Lee Jae Myung, onde os dois chefes de Estado concordaram em ampliar a cooperação em setores estratégicos como comércio, minerais críticos, tecnologia e cultura. No encontro, foram supervisionadas a assinatura de 10 memorandos de entendimento (MoUs) que cobrem políticas comerciais e industriais, minerais essenciais, economia digital — incluindo Inteligência Artificial —, agricultura, saúde e biotecnologia, bem como intercâmbios de pequenas e médias empresas e ações conjuntas de combate a crimes cibernéticos, narcóticos e outras ameaças transnacionais.

Os líderes planejam elevar a relação bilateral a uma parceria estratégica e disseram que trabalharão juntos para apoiar a estabilidade na Península Coreana. Em discurso, Lula ressaltou as muitas sinergias entre os dois países, destacando que o Brasil é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina, enquanto a Coreia do Sul figura entre os maiores parceiros comerciais do Brasil na Ásia, com um intercâmbio que chega a US$ 11 bilhões.

Para fomentar investimentos recíprocos, celebramos um acordo-quadro de integração comercial e produtiva que vai facilitar o comércio bilateral, promover a harmonização regulatória e trazer mais segurança para as empresas”, afirmou Lula. O presidente brasileiro lembrou que as cadeias de minerais críticos oferecem oportunidades de agregaçao de valor e que a conclusão de procedimentos sanitários para exportação da carne brasileira pode beneficiar os consumidores coreanos. Além disso, os dois países discutiram formas de retomar as negociações entre o Mercosul e a Coreia do Sul, interrompidas em 2021.

Na visão de Lee, o plano de ação para os próximos quatro anos prevê medidas concretas para ampliar a cooperação bilateral, abrangendo desde minerais estratégicos até as indústrias de defesa e espacial, incluindo segurança alimentar. Lula ressaltou que o Brasil possui grandes reservas de terras raras e depósitos de níquel, e que o governo espera atrair investimentos de empresas sul-coreanas. Em uma mensagem publicada no X no início do dia, Lee saudou a presença de Lula em Seul como parte de sua primeira visita de Estado em 21 anos, destacando as semelhanças entre as trajetórias de ambos.

Os dois lados já mantinham encontros produtivos desde a cúpula do G7 no Canadá e, posteriormente, da cúpula do G20 na África do Sul, o que ajudou a estreitar laços. Entre os aspectos mais relevantes, Lula e Lee assignaram cooperação que pode abranger áreas como minerais estratégicos, indústrias de defesa e blockchains de alimentos, além de fortalecer intercâmbios de tecnologias digitais, incluindo IA, e cooperações para manter a estabilidade regional. No dia a dia, o que muda para o leitor comum é a expectativa de maior fluxo de investimentos, produtos sul-coreanos no Brasil e, em última instância, mais oportunidades econômicas para empresas e produtores de ambos os países.

Ao traçarem o caminho, ficou claro que o objetivo é transformar a parceria em um pilar sólido para a cooperação regional, com atenção especial à proteção de cadeias produtivas, à harmonização regulatória e à segurança cibernética. No fim das contas, a parceria reforçada entre Brasil e Coreia do Sul busca não apenas ampliar o comércio, mas também criar condições para um crescimento conjunto mais estável e sustentável no decorrer dos próximos anos.

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Jornalista

Renata Oliveira

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