Brasil analisa aliança com EUA para lítio, terras raras e minerais

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Brasil avalia entrar em aliança dos EUA por lítio, terras raras e outros minerais

Reunião nos EUA apresentou plano para reduzir dependência da China; Brasil exige garantias ambientais e produção local antes de decidir

Um encontro realizado nos Estados Unidos na quarta-feira colocou o foco no chamado bloco comercial de minerais críticos, pensado para entender caminhos de cooperação entre Brasil e EUA. Segundo relato, o vice-presidente americano, J.D. Vance, apresentou a ideia de criar esse espaço dedicado a terras raras, lítio e cobre. O Itamaraty confirmou presença na reunião, mas destacou que a decisão não será rápida e precisa passar por um diálogo bilateral entre os dois países. Na prática, trata-se de um movimento para reduzir a dependência dos EUA de recursos hoje fortemente influenciados pela China.

Para situar o contexto, vale lembrar que a China vem restringindo exportações de terras raras ao longo de 2025, o que intensificou o debate sobre como diversificar fontes e cadeias produtivas. No mesmo período, o governo de Donald Trump lançou o projeto Vault, que prevê US$ 10 bilhões em financiamento do EXIM Bank e US$ 2 bilhões de investimento privado para apoiar mineração, refino e reciclagem. No dia a dia, isso reforça a estratégia de buscar autonomia em setores estratégicos, com impactos diretos para a indústria e o comércio internacional.

Os principais objetivos brasileiros nesse debate apontam para uma postura cautelosa, uma prioridade por valor agregado e a exigência de industrialização local. Ou seja, não basta exportar minério na forma bruta: Brasil quer processar e transformar os minerais aqui, gerando tecnologia, empregos e riqueza dentro do país. Além disso, a pauta contempla a sustentabilidade ambiental e social como requisito indispensável para qualquer parceria, com o leitor se perguntando: “Mas o que isso muda na prática?”.

Essa posição passa por três pilares centrais.

  • Cautela e prazo: qualquer decisão deverá ocorrer lentamente e em nível bilateral.
  • Industrialização: a fase de transformação no Brasil é vista como condição essencial para justificar a parceria.
  • Sustentabilidade: projetos precisam respeitar padrões ambientais e sociais rigorosos.

Do lado técnico, o Brasil ostenta potencial significativo: está entre os países com maior reserva de terras raras no planeta, atrás apenas da China, e também possui relevância importante em niobio, lítio e cobre. No entanto, o impulso não se restringe ao governo: várias mineradoras nacionais já mantêm negociações avançadas com investidores americanos. Entre os nomes citados, o Projeto Caldeira (MG) recebeu uma carta de interesse de até US$ 250 milhões do EXIM Bank; o Projeto Bandeira (MG) aponta para financiamento de até US$ 266 milhões para lítio; outras empresas, como Serra Verde e Aclara (GO), já contam com acordos de financiamento com órgãos dos EUA.

Conforme o assunto avança, fica claro que o movimento dos EUA não é exclusivo ao Brasil: dezenas de países participam das discussões — em paralelo, os EUA já firmaram acordos com o México, a União Europeia e o Japão para coordenar preços e compartilhar estoques estratégicos. O governo brasileiro planeja levar a pauta para discussão durante uma futura viagem oficial do presidente Lula a Washington, mirando uma posição que contemple interesses nacionais sem abrir mão de critérios de responsabilidade e desenvolvimento local.

Quem observa esse cenário aponta que a iniciativa tem potencial de reorganizar cadeias globais de minerais, com consequências diretas para consumidores, investidores e trabalhadores de setores ligados à mineração e à indústria de tecnologia.

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Jornalista

Lucas Almeida

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