EUA impedem fotógrafos de entrevistas do secretário da Defesa após imagens desfavoráveis
Equipe do secretário de Defesa restringe presença da imprensa em coletivas sobre a guerra no Irã, em meio a tensões entre o governo Trump e jornalistas
O Departamento de Defesa dos EUA decidiu proibir a presença de fotógrafos nas duas últimas coletivas de imprensa do secretário de Defesa, Pete Hegseth, que abordavam a guerra contra o Irã. A medida foi tomada depois que imagens consideradas “desfavoráveis” por membros de sua equipe começaram a circular, segundo fontes ouvidas pelo jornal Washington Post. Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, Hegseth — ex-apresentador da Fox News — tem protagonizado embates frequentes com repórteres, algo que parece ter contribuído para o recuo na presença da imprensa.
A decisão ganhou corpo após uma coletiva realizada no Pentágono em 2 de março, poucos dias após o ataque militar que matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro. Pessoas envolvidas no episódio relatam que assessores do secretário criticaram a presença dele nas fotos divulgadas pela imprensa. Nessa ocasião, fotógrafos de agências internacionais como Associated Press, Reuters e Getty Images registraram o evento, que também contou com a participação do general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto. As imagens circularam amplamente para veículos de todo o mundo.
Após a repercussão, a equipe do secretário decidiu barrar fotógrafos nas coletivas seguintes, marcadas para o Pentágono nos dias 4 e 10 de março. A partir de então, apenas repórteres de texto credenciados puderam acompanhar as sessões, enquanto o registro visual ficou restrito aos fotógrafos oficiais do Departamento de Defesa. Em nota, o portavoz do Pentágono, Kingsley Wilson, afirmou que a medida busca “utilizar de forma mais eficiente o espaço na sala de imprensa”. No que diz respeito à prática, cada veículo pode enviar apenas um representante às coletivas, e as fotos produzidas pelo governo passam a ficar disponíveis online para uso da imprensa.
Essa mudança acontece em meio ao agravamento das tensões entre o governo de Donald Trump e jornalistas que cobrem o Pentágono. A crise foi turbinada no ano anterior, quando centenas de profissionais credenciados devolveram seus crachás de acesso e muitos deixaram suas mesas no prédio em protesto contra uma nova política que restringia pedidos de informação e contatos não autorizados pelo governo. Grandes veículos passaram a abandonar suas posições no local em vez de aceitar as novas regras, que limitavam a circulação de repórteres e as fontes com quem poderiam dialogar.
O debate atingiu o âmbito judicial: o The New York Times e o repórter Julian E. Barnes entraram com uma ação contra o governo, argumentando que as novas normas violam garantias constitucionais de liberdade de imprensa e devido processo legal. Um juiz federal em Washington analisa, no momento, pedidos de julgamento sumário após audiências realizadas na última semana. Enquanto os processos avançam, fica a dúvida de como esse embate terá impactos práticos no acesso à informação para o público em geral.
Em meio a esse cenário, a pergunta que fica é: o que muda, no dia a dia, para quem acompanha políticas militares e decisões da Defesa? No fim das contas, a história recente mostra que o equilíbrio entre transparência e controle de imagem continua em ebulição, e que o leitor comum precisa estar atento aos desdobramentos que afetam o acesso a imagens, informações e declarações oficiais.
- O que mudou na prática: menos registro visual em coletivas, com fotos restritas a fotógrafos oficiais.
- Quem fica sem registro imediato: jornalistas de veículos com credenciais comuns e repórteres de texto, em geral.
- Por que isso importa: o vínculo entre transparência governamental e direito de bem informado pode ficar mais estreito, afetando a cobertura de política externa e defesa.