António Filipe recebe apoio de ex-presos contra branquear fascismo

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Presidenciais: António Filipe recebe apoio de ex-presos políticos, contra os que querem “branquear o fascismo”

O candidato presidencial iniciou a campanha oficial na fortaleza de Peniche, hoje convertida em museu da resistência, onde recebeu o apoio de ex-prisioneiros e ouviu relatos sobre a vida na prisão, defendendo que há forças políticas que tentam apagar a memória do fascismo.

O começo oficial da campanha ocorreu nesta fortaleza histórica, que já serviu de prisão durante o regime de Estado Novo e que, desde a transformação em Museu Nacional Resistência e Liberdade, ganhou um significado simbólico para a candidatura de António Filipe. No local, o candidato ouviu testemunhos de quem viveu a repressão e recebeu o apoio de ex-prisioneiros políticos, com a mensagem de que a luta pela democracia continua atual.

Marcando a sua identidade, Filipe destacou a resistência ao fascismo como um traço essencial da sua candidatura. Ele denunciou quem tenta apresentar a ditadura como se fosse uma fase de costumes brandos e deixou claro que “não foi” assim. Para o candidato, existem forças políticas em Portugal que tentam desvalorizar a luta antifascista e branquear o período histórico, o que, na prática, representa um ataque à democracia. Em resumo: a oposição a esse empenho é parte da sua agenda.

No interior da fortaleza, foi entregue a Filipe um abaixo-assinado, acompanhado de depoimentos de quem esteve preso durante o Estado Novo, em Peniche e noutras cadeias. Entre os participantes, Ana Abel, com 79 anos, afirmou ter assinado em apoio à sua candidatura, representando 159 ex-prisioneiros que partilham o mesmo sentimento. Ao som de palavras de ordem como “fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre”, reforçaram a ideia de que os tempos exigem coragem política, determinação e convicção de que os valores da luta antifascista permanecem atuais.

António Filipe agradeceu o gesto e destacou o significado do apoio de quem passou pela repressão, afirmando que os resistentes antifascistas são os seus heróis e que esse reconhecimento serve de impulso para a sua campanha. Para ele, o museu representa também uma bússola para as novas gerações tomarem consciência do que foi o fascismo em Portugal e da importância de defender a Constituição, cuja aplicação cabe ao Presidente da República.

No contexto da visita, foi lembrado que a fortaleza recebeu mais de 2.600 presos políticos durante o regime. Na entrada, recordou-se a fuga audaciosa de Álvaro Cunhal e de outros companheiros, ocorrida em 3 de janeiro de 1960. Filipe reforçou que o espaço, além de memória, serve como lembrete de que a luta pela democracia precisa de continuidade no tempo.

Ele sublinhou, ainda, que o papel do Presidente da República não é o de liderar uma força partidária, mas sim o de assegurar a aplicação da Constituição. A mensagem foi clara: lutar pela democracia não é uma luta de fação, mas uma causa que deve unir todos os democratas, sobretudo em tempos desafiadores. O debate eleitoral segue com 11 candidatos, com a campanha programada entre 4 e 16 de janeiro, em uma eleição que marca a 11.ª democraticamente desde 1976.

Nascendo de uma visita que mistura memória, história e política, a candidatura de António Filipe quer transformar a memória do passado em lição para o presente — e, quem sabe, influenciar o futuro da liderança institucional do país.

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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