Alesp abre processo disciplinar que pode levar à cassação de Lucas Bove
Conselho de Ética e Decoro Parlamentar aprovou nesta terça (24) representação da deputada Mônica Seixas (PSOL) sobre discussão que envolveu deputado em sessão realizada no ano passado
O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo tomou uma medida significativa ao abrir um processo disciplinar contra o deputado Lucas Bove (PL). A iniciativa partiu de uma representação apresentada pela deputada Mônica Seixas (PSOL) e mira condutas associadas a acusações de violência de gênero durante debates no plenário que ocorreram no ano anterior. A partir de agora, o objetivo é apurar o que houve e estabelecer possíveis sanções conforme o andamento do caso.
Segundo o relato que embasa a representação, houve um episódio em que Mônica Seixas questionou o comportamento de Bove diante da deputada Professora Bebel (PT), com o dedo em riste. A discussão acabou migrando para o microfone do plenário, quando o parlamentar respondeu que falava “do jeito que quiser” e a sequência de confronto ganhou ares de atrito público. Em meio à tensão, Bove elevou o tom, chegou a bater a mão na mesa e o clima da sessão ficou carregado, interrompida pela transmissão em alguns momentos.
Na sessão realizada em 24 de setembro, o Conselho de Ética aprovou, por unanimidade, a abertura do processo disciplinar contra Bove. A decisão contou com votos favoráveis de Emídio de Souza (PT), Eduardo Nóbrega (Podemos), Rafael Saraiva (União), Paula da Bancada Feminista (PSOL) e Delegado Olim (PP). O relator designado será o próprio Emídio. Em manifestação, Mônica afirmou que sua intenção era proteger a colega Bebel e cobrou do presidente da casa uma intervenção para manter a ordem, sugerindo que houve dificuldade de registrar o momento com as câmeras ligadas.
Em outra frente, Bove já tinha protocolado uma representação contra Mônica Seixas, porém o caso foi arquivado. O andamento atual prevê a oitiva de testemunhas e a apresentação de defesa, para que, ao fim, o Conselho de Ética emita uma opinião sobre a sanção a ser discutida pelo Plenário. Entre as possibilidades estão a advertência, a suspensão temporária do mandato e a eventual cassação.
O deputado afirmou, em nota, que o episódio resulta de uma discussão acalorada em plenário, típica da política, sem qualquer tipo de violência. Ele negou as acusações de irregularidades como a rachadinha e repetiu que o caso envolve uma movimentação puramente política. Questionou o tratamento dado a parlamentares que discordam dele, sugerindo que há dois pesos e duas medidas aplicados de forma desigual, especialmente no contexto de apoiadores do bolsonarismo.
No dia a dia, situações assim colocam em jogo a percepção do público sobre a conduta de seus representantes e sobre onde ficam os limites entre defesa de ideias e respeito entre colegas de câmara. Enquanto o desfecho não vem, leitores e eleitores acompanham de perto o que acontece nos corredores da Alesp e o impacto que isso pode ter na imagem de quem está à frente do mandato.