Por que ainda não existem carros 100% movidos a etanol?

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Por que ninguém fabrica carro 100% a etanol?

Carros movidos 100% a etanol já existiram, mas há um motivo pelo qual o veículo não ganhou repetição no dia a dia

Em linhas gerais, o etanol costuma emitir menos poluentes que a gasolina e, em alguns contextos, chega a parecer menos poluente que a energia elétrica. Diante disso, surge a dúvida: por que não se produzem mais carros que funcionem exclusivamente com álcool? A resposta envolve tecnologia, economia e o dia a dia do motorista. O Olhar Digital examinou o tema e apresenta os principais pontos a seguir.

Por que as fabricantes não produzem carros com funcionamento 100% a etanol? Os carros flex são veículos que aceitam álcool, gasolina ou a mistura dos dois. Essa versatilidade é atrativa justamente por permitir ao condutor escolher o combustível conforme o preço na hora do abastecimento. Já um veículo que funciona apenas com etanol ficaria preso a essa opção única; se o preço da gasolina cair, não haveria a possibilidade de switch para o álcool, e vice-versa. Além disso, modelos flex, em muitos casos, têm preço competitivo em relação a alguns carros movidos apenas à gasolina. Nesse cenário, pagar mais para ficar amarrado a um único combustível não parece fazer sentido para o consumidor.

Etanol tem menor autonomia A gasolina costuma ter custo elevado, mas a vantagem é a autonomia maior que ela proporciona. Em termos práticos, cerca de 20 litros de gasolina costumam levar o motorista mais longe do que a mesma quantidade de álcool. \n
Ao comparar o potencial energético, nota-se que os veículos tendem a consumir aproximadamente 30% a mais de álcool para percorrer a mesma distância que um carro movido a gasolina. Em resumo, um carro 100% etanol tende a ter autonomia menor e precisaria de um tanque maior, o que nem sempre agrada as pessoas no dia a dia.

Diferenças na prática: parte elétrica, frio e partidas Em regiões mais frias, o etanol evapora mais rápido que a gasolina, o que pode comprometer o consumo. Além disso, ligar o carro com o tanque abastecido apenas com álcool, em temperaturas baixas, costuma apresentar mais dificuldades. Os sistemas de pré-aquecimento e a injeção eletrônica avançada presentes nos veículos flex ajudam a contornar esse empecilho. No conjunto, a vantagem prática de um carro 100% a etanol fica menor quando comparada aos modelos flex.

Traumas do passado no Brasil

Na década de 1980, o país lançou um programa ambicioso chamado Proálcool, com o objetivo de reduzir a dependência do petróleo importado e valorizar a produção nacional de cana-de-açúcar. O resultado foi expressivo: parte importante dos carros novos vendidos na época utilizava álcool. Porém, o aumento dos preços do açúcar no mercado internacional complicou a produção de etanol: muitas usinas passaram a priorizar o açúcar refinado, gerando faltas de etanol nos postos e longas filas para abastecimento. O cenário criou insegurança entre os compradores, que migraram para os modelos movidos a gasolina. Só em 2003 surgiu a revolução dos carros flex, que trouxe novamente flexibilidade e confiança aos consumidores.

No fim das contas, o que explica a escolha por flex e não por 100% etanol é a combinação entre autonomia, preço, conveniência e confiabilidade no uso diário. A decisão envolve saber lidar com ciclos de preço, disponibilidade de combustível e as limitações técnicas que ainda tornam o 100% etanol menos competitivo para a grande maioria dos motoristas.

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Jornalista

Lucas Almeida

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