Ahmad Schabib: UFPantanal inicia nova fase; outdoors em Corumbá e Belém

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Ahmad Schabib: Movimento UFPantanal inicia nova fase; fixa outdoors em Corumbá e Belém

Um futuro sustentável para o Pantanal

Em uma guinada que sinaliza a consolidação de um projeto de universidade pública para o Pantanal, o Movimento UFPantanal ficou ainda mais presente no cotidiano das cidades. Ahmad Schabib Hany, jornalista e ativista ligado ao movimento, descreve como outdoors temáticos foram instalados em Corumbá (MS) e Belém (PA), ampliando o debate sobre a criação da Universidade Federal do Pantanal e sua missão de articular conhecimento, inovação e inclusão. A iniciativa marca uma nova fase, com o pré-projeto de um centro de referência que pretende colocar o Pantanal no mapa nacional e sul-americano como um polo de pesquisa e formação.

No fim de semana prolongado, quatro outdoors foram erguidos pela mobilização, com mensagens que colocam o Pantanal no centro de uma visão de futuro. Além disso, a ideia da universidade surge como uma resposta às demandas por educação superior de qualidade, com DNA próprio do bioma e compromisso com uma gestão independente e democrática. A leitura que fica é clara: investir na formação superior é a maneira mais eficaz de gerar empregos qualificados e impulsionar a economia local, sem abrir mão da preservação ambiental e da inclusão social.

Para entender o que está em jogo, vale seguir o fio: o projeto ambiciona não apenas criar vagas, mas estabelecer um polo de referência que conecte pesquisa, ensino e inovação com as comunidades da região. E ele aponta um caminho de longo prazo para elevar a renda da população, ampliar oportunidades para jovens e profissionais, e manter vivo o interesse de um território tão singular quanto o Pantanal. Na prática, o movimento propõe a construção de uma universidade federal no coração do Pantanal e da América do Sul, sem subordinações, para servir de laboratório vivo para gerações futuras.

Historicamente, a região tem visto uma evolução complexa de infraestrutura e oportunidades. Nos últimos 35 anos, observa-se a perda de milhares de empregos qualificados em decorrência de privatizações de grandes empresas e de cortes em serviços públicos. Entre as referências citadas aparecem a Noroeste, a Bacia do Prata, Urucum Mineração (da antiga Metamat), Embratel, Telems e Enersul; além do esvaziamento de instituições como INSS, INCRA, IBGE, PORTOBRÁS, INFRAERO, Receita Federal e bancos. Tudo isso compõe um cenário que o Movimento UFPantanal pretende enfrentar com uma aposta clara: educação superior de qualidade como motor de transformação regional e de soberania intelectual sobre o Pantanal.

Não é apenas uma ideia solta no papel. A cada passo, o movimento se reafirma como expressão da cidadania, da participação popular e da defesa de um Pantanal biologicamente rico e socialmente diverso. Em Corumbá, Belém e além, a leitura que se faz é de que a presença de uma universidade federal ali, articulada com a pesquisa aplicada e com a formação de servidores públicos locais, pode mudar o cotidiano de forma palpável. No dia a dia, percebe-se que a luta não é apenas por uma instituição, mas por um ecossistema que valorize a educação, a cultura, o meio ambiente e a justiça social.

Entre as pautas que orientam a campanha, o respeito ao meio ambiente, a memória dos povos tradicionais e o empoderamento das comunidades é prioridade. O movimento também aponta para a importância de manter a discussão pública aberta, com etapas participativas, consultas populares e debates que impliquem a população no desenho de uma universidade que realmente atenda às necessidades locais, sem abrir mão de padrões acadêmicos de excelência.

A campanha ganhou contornos especiais durante a COP-30, onde o slogan “UFPantanal, o futuro sustentável do Pantanal” ganhou a visibilidade de um painel ao acesso de uma via simbólica da Cúpula Mundial do Clima. E, no entorno, o tom foi de que o Pantanal não é apenas uma região de beleza natural, mas também um espaço estratégico para o desenvolvimento humano e científico de qualidade. No coração do Pantanal e da América do Sul, a ideia reconduz o movimento com o mote “o futuro começa aqui”, reforçando a relação entre território, educação e inovação.

Os primeiros painéis foram instalados em três pontos estratégicos, sinalizando o início de uma estratégia de comunicação que pretende ampliar a visibilidade da causa:

  • Rua Frei Mariano com Portocarrero
  • Avenida Rio Branco, em frente ao prédio histórico do Campus do Pantanal da UFMS
  • Rua Dom Aquino, próximo à saída para a Bolívia

No horizonte, a expectativa é de ampliar a série de outdoors e avançar com as fases participativas e debates públicos. A esperança é de que, com engajamento da sociedade, a discussão se transforme em ações concretas que fortaleçam a educação superior free de grilhões institucionais, gerando oportunidades reais para as novas gerações de corumbaenses, ladarenses, pantaneiros e jovens de todo o Brasil — inclusive na fronteira com outros países.

Se, por um lado, é preciso reconhecer que há ceticismo e resistência, por outro, a energia coletiva do movimento reforça a ideia de que a universidade federal no Pantanal não é apenas uma utopia: é uma possibilidade viável que pode reconfigurar o mapa educacional, científico e econômico da região. E, na prática, a implantação de uma instituição assim é também uma aposta na qualidade de vida, com impactos diretos na geração de empregos, na formação de profissionais e na consolidação de um polo de referência que dialogue com o resto do país e com a comunidade internacional.

Com a atenção voltada para o futuro, o movimento convida leitores e apoiadores a olharem para além dos outdoors e a se engajarem nas etapas participativas que virão. Porque, como defendem seus integrantes, o Pantanal merece uma instituição capaz de preservar seu patrimônio natural, promover pesquisa de ponta e, ao mesmo tempo, iluminar caminhos de inclusão social para quem aqui vive e para quem sonha em chegar mais perto de uma educação de qualidade. E a leitura que fica é simples: a mudança começa com ideias, ganha forma com ações coletivas e se consolida quando a educação pública se firma como direito de todos.

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Jornalista

André Santos

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