Lula escolhe Flávio

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Lula prefere Flávio

Presidente vai rejeitar lei da anistia envergonhada a Bolsonaro e tentar jogar votação do veto para depois de abril

Um axiom atribuído a Napoleão Bonaparte circula entre analistas: não interromper quando o adversário erra. No cenário brasileiro, Lula tem aproveitado cada tropeço da oposição para manter o ritmo de sua leitura de jogo. Com Eduardo Bolsonaro buscando desgastar o legado do pai nos EUA, o círculo próximo de Lula passou a entender que a candidatura de Flávio Bolsonaro pode contaminá-la de modo a manter a disputa longe de um desfecho certeiro, especialmente se o resultado dividir a direita e deixar parte do Centrão mais próximo do governo.

A leitura eleitoral ganhou fôlego depois de uma pesquisa do Datafolha divulgada no fim de semana: Lula aparece com 49% dos votos válidos diante de 22% para Flávio Bolsonaro, configurando cenário favorável a uma vitória no primeiro turno, caso Flávio seja o candidato plantado pela oposição. A avaliação de Lula coincide com esse momento: a aposta é que manter a vantagem depende, entre outros aspectos, de evitar que o frente oposicionista se recompulse com rapidez.

Em conversas com senadores de peso, como Renan Calheiros, Jaques Wagner e Eduardo Braga, o presidente soube que as chances de impedir o Senado de aprovar o PL da Dosimetria — a chamada “anistia envergonhada” para Jair Bolsonaro — são remotas. Ainda assim, Lula parece planejar utilizar o veto para adiar a decisão sobre o tema, atrasando o calendário e, quem sabe, atrapalhando a candidatura do governador Tarcísio de Freitas. Se o Senado aprovar o texto na quarta-feira, 17, o veto virá apenas no fim do prazo, com chances de sair no início de janeiro. Como o Congresso está em recesso, o tema só voltará ao radar em fevereiro.

A prioridade do governo é convencer o presidente do Senado a marcar a votação do veto para abril, justamente depois que Tarcísio se desincompatibilizar. Lula enxerga o governador de São Paulo como o principal oponente real na campanha e aposta na neutralidade de palanques regionais para MDB, União Brasil e PP, em troca de acordos que fortaleçam a posição dele em estados-chave como Minas Gerais, Pará e no Nordeste.

No jogo de bastidores, também se avalia o peso da máquina pública na eleição. Ao comparar pesquisas de dezembro de 2021 com os cenários de 2022, fica clara a percepção de que a prática de uso de benefícios públicos mudou o humor do eleitor. Em dezembro de 2021, segundo o Datafolha, a avaliação de Bolsonaro era ótimo/bom 22%, regular 24%, ruim/péssimo 53%. Já no retrato de 1º turno daquele período, Lula liderava com 47% e Bolsonaro marcava 21% (considerando apenas votos válidos, com cenários que incluíam outros nomes). O que mudou ao longo de 2022? A “maquina pública” ganhou tração. Bolsonaro elevou o Auxílio Brasil de 400 para 600 reais, o vale gás de 50 para 110 reais, criou um benefício mensal de 1.000 reais para taxistas e caminhoneiros, zerou tributos federais e limitou o ICMS sobre diesel, gasolina e gás, ações que ajudaram a frear a inflação no curto prazo.

Na leitura do presente, Lula aparece com uma avaliação do governo de 33% de ótimo/bom, 30% regular e 37% ruim/péssimo, segundo o Datafolha. Em cenários eleitorais, há variações: no primeiro, Lula aparece com 41% contra 23%% de Tarcísio de Freitas, com Ratinho Júnior em 11% e Caiado em 6%; no segundo, Lula mantém 41% enquanto Flávio Bolsonaro soma 18%, Ratinho Júnior chega a 12% e Caiado fica com 7%. A leitura é de que Lula ainda não acionou toda a máquina, esperando o momento certo para intensificar a campanha.

Entre projetos e promessas, o governo já traça um conjunto de ações para o próximo ciclo: em janeiro, a expectativa é reduzir a cobrança do imposto de renda para parte dos contribuintes; o salário mínimo deve reajustar-se em 6,7%. Em fevereiro, o Pé de Meia deve garantir prêmios para alunos do ensino público que encerrem o ano letivo. A continuidade de programas de assistência social também deve seguir, com previsão de atender milhões de famílias com benefícios em gás e energia ao longo de 2023. A meta é manter o chamado apoio social ativo até março e, a partir de abril, levar adiante a proposta de uma agenda de mudanças, inclusive com o debate em torno da chamada escala 5×2, que visa reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais e exigir pagamento de horas extras em fins de semana. Caso o projeto não seja aprovado neste ano, ele se tornará a principal bandeira da campanha de reeleição.

No radar do meio do ano, há a promessa de um piloto de gratuidade de ônibus nos fins de semana em uma ou duas capitais, com o objetivo de atrair o eleitorado urbano para o conjunto de propostas de governo. A ideia é que esse modelo sirva como chamariz para uma eventual implantação nacional caso haja uma vitória de Lula 4. Em meio a esse cenário, o desafio permanece: como manter alinhado o discurso de economia popular com as estratégias de campanha, sem perder a credibilidade junto ao eleitor comum?

Além disso, o noticiário aponta uma disputa entre bolsonarismo e Centrão, com a possibilidade de alianças regionais que favoreçam acordos em estados onde Lula tem força. No dia a dia, o leitor fica conectado a um conjunto de debates que impactam diretamente a vida cotidiana, desde benefícios sociais até obrigações fiscais, passando por planejamento político de longo prazo.

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TAGS: Anistia, Davi Alcolumbre, Eleições, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, Tarcísio Gomes de Freitas

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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