Trump ameaça travar fusão entre Netflix e Warner: “Pode ser um problema”
Presidente dos EUA afirma que acompanhará a revisão do acordo entre Netflix e Warner – e coloca pressão extra sobre o maior negócio do streaming
O mundo do entretenimento recebeu mais um sinal de alerta nesta semana. Donald Trump, líder dos EUA, elevou o tom ao falar sobre a possível fusão entre Netflix e Warner Bros. Discovery, um negócio cotado entre US$ 72 bilhões e US$ 82,7 bilhões (aproximadamente R$ 393 bilhões a R$ 452 bilhões). O comentário coloca ainda mais peso político sobre uma operação que já atrai escrutínio regulatório e a atenção de rivais do setor.
Segundo o republicano, a fusão “pode ser um problema” justamente porque a Netflix ganharia poder em um mercado que, na visão dele, já está bastante dominado pela empresa. Além disso, ele destacou que Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, esteve recentemente na Casa Branca, reforçando a sensação de que o governo quer acompanhar de perto cada passo do processo.
Essa intervenção adiciona uma camada política a uma negociação que já enfrentava ceticismo entre reguladores e rivais. No dia a dia, trata-se de um debate entre competição, conteúdo disponível e o equilíbrio de forças no streaming — mas com a presença de Brasília e de Washington cada vez mais explícita.
Com o tom mais duro, Trump deixou claro que acompanhará de perto a revisão do acordo e insinuou que poderá ter participação direta na decisão final, elevando o peso político de uma operação que envolve as duas maiores plataformas de conteúdo. E não faltaram elogios: o presidente chegou a chamar a Netflix de “grande companhia” e descreveu Sarandos como “um grande homem” que realizou “um dos maiores trabalhos da história do cinema”.
A proximidade entre governo e Netflix não é novidade. Sarandos já esteve com Trump em reunião anterior na Casa Branca, em uma conversa que alimentou a expectativa de que a aprovação não enfrentaria resistência imediata. Nos bastidores, porém, rivais como David Ellison, da Paramount Skydance, fizeram lobby contra a fusão, citando riscos de antitruste. E não é a primeira vez que o ex-presidente se envolve publicamente em disputas desse tipo: em 2017, ele interveio na tentativa de fusão entre AT&T e Time Warner.
Falas de Trump, por sua vez, aumentam o escrutínio regulatório sobre o que talvez seja a maior fusão da história do streaming. Antes mesmo da intervenção, agências de concorrência já examinavam o impacto da operação, atendo aos efeitos sobre a competição, janelas de exibição, empregos no setor e a possibilidade de uma grande empresa dominar o ecossistema global de streaming. No fim das contas, o cenário permanece cheio de perguntas: como será o equilíbrio entre conteúdo, empregos e inovação no mercado?
De acordo com a leitura de especialistas, a Netflix argumenta que a compra posiciona a empresa para as próximas décadas, defendendo que o negócio pode promover sinergias de conteúdo e escala. Ainda assim, o caminho até o fechamento está longe de ser simples: estima-se um cronograma entre 12 a 18 meses, com a cisão da Discovery Global prevista para 2026 e uma taxa de rescisão de US$ 5 bilhões caso o acordo seja bloqueado pelos reguladores. Com a presença de Trump no processo, cada etapa ganha uma camada extra de incerteza e foco político.