Com trajetória errática e efeito-Flávio, direita termina 2025 em busca de um rumo
O grupo político caminha para uma espécie de prévias no primeiro turno que irá definir quem tem mais bala para duelar com Lula na rodada final
No fechamento de 2025, a cena política da direita tenta encontrar uma direção estável em meio a tropeços e mudanças de rumo. Ao longo do ano, nomes que já ocuparam o centro do debate passaram por reacomodações, while a atenção se volta para quem pode liderar a oposição em 2026. No dia a dia, o desafio é somar força entre pressões de aliados e o desejo de um discurso que não se esfarele sob o peso da realidade histórica de cada eleito. E a pergunta que não cala é: quem terá mais fôlego para encarar Lula no confronto decisivo?
Uma leitura de avaliação pública aponta tensões claras. Segundo uma pesquisa recente, 52% da população desaprova o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva em sua terceira passagem pela Presidência. Além disso, 44% afirmam que não votariam no petista de jeito nenhum, e 56% dizem que ele não merece ser reeleito. Esses números ajudam a explicar por que, apesar da rejeição a Lula, os partidos da direita sentem dificuldades para encontrar um caminho coeso para 2026. A combinação de desaprovação, descontentamento com o governo e o desejo de mudança cria um cenário de incerteza que a cidade não joga fora de modo simples.
Mais do que números, há uma corrida interna entre protagonistas que tentam emergir com força suficiente para marcar o ritmo no primeiro turno. Partidos considerados pilares, como União Brasil, PP, Republicanos e PSD, sinalizaram que pretendem manter o palanque ao oposto de Lula, buscando frear a dianteira que o petista ainda ostenta entre parcela do eleitorado. Entre as opções, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, aparece como o nome mais bem posicionado nas consultas internas, ao lado de outras alternativas que disputam o centro do tabuleiro com vigor.
Incontáveis capítulos marcaram o ano: o país viu o líder da oposição, Jair Bolsonaro, chegar à sua situação mais difícil após ser condenado a prisão por tentativa de golpe de Estado. Mesmo assim, ele deixou claro que pretendia buscar a candidatura até o último momento, mantendo firme a lorota de uma possível retomada do protagonismo. Em maio, Bolsonaro declarou que não abriria espaço para um herdeiro político, repetindo a ideia de que iria até o fim. Nesse cenário, outros nomes também tentaram ganhar espaço: o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, anunciou pré-candidatura, assim como Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, em momentos diferentes do ano. Contudo, esses movimentos não empolgaram parte do eleitorado nem garantiram consenso entre forças de oposição.
Para além do choque de narrativas, o centrão — junto de setores significativos da sociedade civil — não escondeu a preferência por Tarcísio de Freitas, visto como o concorrente mais bem colocado nas pesquisas. Enquanto isso, nomes como Ratinho Júnior, governador do Paraná (PSD), também aparecem nos bastidores como figuras relevantes, sempre sob o guarda-chuva da busca por uma linha de atuação que una o grupo fragilizado pela prisão de Bolsonaro e as expectativas de um eleitorado cansado de instabilidade. A leitura comum é de que a direita caminha para uma rodada de prévias no primeiro turno, que poderá definir quem terá “mais bala” para enfrentar Lula no segundo turno.
No dia a dia da política, o tempo se tornou um fator decisivo: os quatro primeiros meses do ano aparecem como janela crítica para que Tarcísio e Ratinho Júnior deixem seus cargos, caso pretendam liderar a oposição de modo mais claro na eleições. Ao mesmo tempo, surge a dúvida: Flávio Bolsonaro, o primogênito, terá ou não condições de representar, de fato, uma alternativa capaz de capitalizar o descontentamento com o status quo? Em meio a esse mosaico, a narrativa que fica é de que as escolhas de 2026 não serão apenas sobre preferências de nomes, mas sobre quem conseguirá manter o ânimo do eleitorado, sem abrir mão de um discurso que pareça viável para o cotidiano das famílias brasileiras.
No fim das contas, o panorama sugere que a direita pode caminhar para um conjunto de prévias no primeiro turno, com a tarefa de definir quem tem condições reais de encarar Lula no pleito final. Contudo, a tensão entre unidade e dissidência deixa em aberto a pergunta de como esse movimento será percebido pelo eleitor comum: será capaz de reconstruir a confiança necessária ou continuará carregando a marca de um ciclo marcado por movimentos imprevisíveis?