Europa recua no banimento da combustão | NSX reinventado chega em 2026 | MR2 volta aos holofotes e mais novidades
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No radar automotivo europeu, o impulso por banir a combustão interna sofreu uma reviravolta importante. Reguladores e fabricantes passaram a discutir um caminho mais gradual, com foco em viabilidade econômica e capacidade industrial. Quem acompanha o dia a dia do setor sabe: não é apenas uma questão de sonho ambiental, é também de equilíbrio entre metas ambiciosas e a prática de produção em massa. 2035 ficou como referência, mas a leitura atual aponta para espaço para motores de combustão eficientes, híbridos e até combustíveis neutros em carbono, desde que tudo faça sentido do ponto de vista técnico e financeiro. Enquanto isso, o debate continua aceso entre instituições europeias, governos nacionais e grandes montadoras, sempre buscando manter a competitividade diante da aceleração da indústria chinesa.
Essa movimentação não para por aí. Névoas sobre o futuro da mobilidade se consolidam, e ao mesmo tempo aparecem lançamentos e projetos que mostram como o mercado está lidando com a ideia de “restomods” e releituras de clássicos, sempre com o radar em tecnologias modernas. No centro disso tudo, a voz de executivos e entidades regulatórias ressoa com uma mensagem compartilhada: a transição precisa ser sustentável, porém pragmática, para não abrir distância excessiva entre metas e realidade prática das fábricas.
NSX volta às manchetes, desta vez com um movimento que cruza tradição, tecnologia e visão esportiva. O novo projeto batizado de Tensei — que significa renascimento em japonês — surge como reinterpretar o NSX original usando a tecnologia que faltava lá atrás, sem romper com a essência do modelo. O carro será desenvolvido pela equipe da JAS Motorsport, parceira oficial da Honda desde 1998 para competições e projetos especiais, e vem com uma carga de detalhes curiosos: a carroceria é nova, produzida em fibra de carbono, com leituras visuais que valorizam agressividade, sem antagoniar a silhueta clássica. O motor será V6 central, com transmissão manual de seis marchas e tração traseira, mantendo aquilo que fãs mais exigentes gostam de ver em um esportivo de alto desempenho. A ambição é superar os 270 cv do NSX original, buscando próximo de 400 cv para um esportivo moderno de 2026. A produção, o preço e a logística de entrega ainda não foram divulgados, mas o objetivo é levar o Tensei ao mercado no primeiro semestre de 2026, em paralelo com um outro tributo ao NSX que já começou a ganhar contornos na Italdesign. E sim, trata-se de um projeto autônomo, não oficial, o que explica a ausência de logotipos da Honda na obra final.
Falando em retrabalhos do passado para o futuro, a Jaguar escolheu refrescar o Type 00. Aparecido às ruas de Londres um dia após a demissão do seu chefe de design, o exuberante cupê elétrico volta em uma nova tonalidade, London Red fosca, ainda mais chamativo do que na estreia. A ideia é clara: manter o ângulo de chamar atenção, mas sem perder o charme de um conceito capaz de provocar discussão entre entusiastas. Enquanto o Type 00 caminha para a versão final prevista para 2026, as primeiras entregas devem ocorrer no fim de 2025. E a cerimônia de apresentação, por assim dizer, ficou marcada pela curiosa coincidência de acompanhar um SS Jaguar de 1935, celebrando 90 anos da marca. No lineup, o Type 00 não traz logotipos tradicionais, exibindo o emblema da própria Jaguar Motorsport, sinalizando que este é um exercício de estilo e técnica, não uma reedição direta do portfólio histórico.
Entre as novidades de bastidores, a Toyota também movimenta o tabuleiro com os nomes GR MR2 e GR MR-S. Depois de uma sequência de teasers e protótipos enigmáticos, a marca confirmou registros de marca para MR2 e MR-S no Japão e na Austrália, com diferença de dois dias, o que indica que o renascimento do MR2 está mais próximo do que se imaginava — possivelmente entre 2027 e 2028. O retorno do MR2 está alinhado com a estratégia de Gazoo Racing de manter linhas distintas: haverá, sim, um GR Celica e um GR MR2/MR-S, coexistindo dentro dessa nova fase. O formato mais provável é um esportivo compacto, de dois lugares, com motor atrás do cockpit e tração integral, buscando equilibrar diversão, desempenho e acessibilidade dentro dos parâmetros da marca. Ainda que haja a possibilidade de uma variante híbrida adiante, o caminho mais coerente no momento aponta para uma configuração com motor a combustão central, possivelmente 1,6 ou 2,0 turbo, estreando em uma faixa de preço competitiva para o segmento.
Outra frente de competição que ganha destaque é a investida da BMW para um rival do G-Wagen. A agora famosa corrida entre fabricantes alemãs ganhou um novo capítulo: a BMW planeja entrar na briga com um modelo de alto desempenho e alto desempenho off-road, que deve explorar a arquitetura CLAR — a mesma que serve de base para o X5 — reforçada para uso off-road sério. O projeto, conhecido internamente como G74, pode ser montado tanto nos EUA quanto na Carolina do Sul, onde a marca já fica com uma boa parte de sua linha de SUVs. O conceito é menos radical que o do G-Class elétrico da Mercedes, com uma aposta mecânica que tende a incluir motores a combustão e opções híbridas, mantendo a ideia de robustez para uso fora de estrada sem abandonar a sofisticação da engenharia alemã.
Já no radar da indústria de alto brilho do mundo automotivo, a Cadillac traça um caminho que mistura espetáculo e performance. A marca decidiu revelar a pintura de sua futura ostentação na F1 num momento cinematicamente pensado: o Super Bowl de 2026, em 8 de fevereiro. O objetivo é aproveitar o alcance televisivo máximo para destacar a presença da Cadillac no grid, com Dan Towriss, CEO da equipe, descrevendo o anúncio como o encontro perfeito entre esporte, entretenimento e storytelling — exatamente o que a F1 se tornou hoje, um palco cultural que vai além da pista. Puristas europeus podem torcer o nariz, mas não há como negar que essa estratégia coloca a Cadillac em posição de tirar o fôlego do público americano e do global, aproveitando o megafone do maior evento esportivo do país para criar uma narrativa de lançamento memorável.
Por fim, o ecossistema de restomods e recriações continua a mostrar forças contrárias e paralelas. A era atual não é apenas sobre a linha de montagem tradicional; ela se alimenta de projetos que desafiam o tempo, o design e as regulamentações, aproveitando o impulso de novidades que respeitam o passado ao mesmo tempo em que abrem espaço para inovações. No dia a dia do leitor, isso significa mais opções, mais histórias e, claro, mais debates sobre o que realmente importa na hora de escolher um automóvel hoje: eficiência, desempenho, estilo ou simplesmente a emoção de reviver uma lenda com a cara do século XXI.