Lula pede a Trump; Planalto vê fim das sanções Magnitsky contra Moraes

Ouvir esta notícia

Pedido direto de Lula a Trump levou ao fim da Magnitsky contra Moraes na visão do Planalto

Governo americano retirou sanções impostas a ministros do STF, em derrota para família Bolsonaro

O presidente Lula conversou de forma direta com o Donald Trump para pedir o fim das sanções aplicadas pela Lei Global Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes e à sua esposa, Viviane Barci de Moraes. A comunicação ocorreu na última ligação entre as duas lideranças, em 2 de dezembro, segundo fontes do Palácio do Planalto.

A retirada das sanções foi anunciada na sexta-feira, 12 de dezembro. De acordo com interlocutores, Lula argumentou que a remoção representaria um gesto fundamental para destravar a retomada das relações entre Brasil e Estados Unidos, que vinham apresentando tensões políticas e diplomáticas nos meses recentes.

No entorno do Planalto, a leitura é de que o pedido foi feito de modo direto e explícito, integrando uma estratégia mais ampla de reaproximação com Washington. A ideia é sinalizar que o diálogo direto entre os chefes de Estado pode render ações concretas para reduzir o atrito entre os dois países.

No dia a dia, já aparecem sinais públicos. Em entrevista durante uma viagem ao Nordeste no início da semana, Lula sugeriu que poderia ouvir em breve uma notícia boa, associando esse otimismo à possibilidade de remover parte da taxação vigente sobre produtos brasileiros, sob a perspectiva de uma relação mais direta com a administração americana.

Além disso, em novembro Trump já havia assinado um decreto ampliando a lista de produtos isentos da tarifa extra de 40% sobre itens agrícolas importados do Brasil, incluindo café, diversos cortes de carne bovina, açaí, tomate, manga, banana e cacau.

No Palácio do Planalto, o clima era descrito como de otimismo. Assessores ressaltam que a cada nova conversa entre Lula e Trump surgem gestos que indicam uma reaproximação diplomática, e que esse movimento pode abrir caminho para uma agenda de cooperação mais ampla entre Brasil e EUA.

Discursando em um evento de lançamento do SBT News, Moraes agradeceu a Lula pelo empenho em defender a verdade sobre sua situação e a de sua esposa. O ministro definiu o anúncio de sexta-feira como uma ‘tripla vitória’ – do Judiciário, que não se curvou a pressões; da soberania nacional; e da democracia brasileira. Moraes ressaltou ainda que, em julho, pediu a Lula que não reagisse de imediato perante decisões americanas, para que a verdade chegasse às autoridades dos EUA.

Na mesma ocasião, Lula comentou que Moraes ganhou de Trump um presente, já que o ministro faz aniversário no sábado. O presidente revelou que manteve conversa na semana anterior com Trump, que perguntou se a retirada das sanções seria positiva para Lula. “Não é para mim, é para o Brasil e é bom para a democracia brasileira. Aqui, não se trata de amigo para amigo, e sim de nação para nação. A Suprema Corte é uma coisa muito importante, Trump,” contou Lula, segundo o relato.

Em entrevista à Verdes Mares, do Ceará, Lula afirmou ter ficado surpreso com a qualidade da comunicação com Trump. Ele disse que, muitas vezes, o presidente americano aparece nervoso na televisão, mas na conversa particular é outra pessoa. “Nós temos dois Trumps: o Trump da televisão e o Trump da conversa pessoal. E eu acho que a química entre nós pode render uma relação boa para o Brasil,” comentou o presidente. Ele ainda apontou a segurança como tema-chave a ser discutido na relação bilateral.

Do lado político, Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, recebeu com pesar a retirada das sanções contra Moraes e a esposa. Ele e o empresário Paulo Figueiredo tinham impulsionado uma campanha para que Trump cotizasse o Brasil como alvo de sanções a organizações criminosas, como o Comando Vermelho e o PCC. O governo Lula, por sua vez, evita medidas que possam prejudicar setores econômicos suspeitos de ligação com o crime organizado. Eduardo, que reside nos Estados Unidos desde o início do ano, tornou-se réu no STF em processo que o acusa de coação para influenciar o curso de julgamentos envolvendo Jair Bolsonaro. Ele e Figueiredo negam as acusações.

A defesa dos EUA para a retirada das sanções foi apresentada com base em acusações de censura, prisões arbitrárias e processos politizados, incluindo ações contra Jair Bolsonaro. A decisão sobre a Magnitsky foi publicada no site do Tesouro americano, destacando que essa lei é uma ferramenta contundente para punir violações de direitos humanos e corrupção no exterior. O movimento de Washington é visto como mais uma rodada de desescalada nas tensões entre Brasil e EUA, após a prisão de Bolsonaro.

Entre os itens já beneficiados pela isenção da tarifa, estão:

  • Café
  • Diversos cortes de carne bovina
  • Açaí
  • Tomate
  • Manga
  • Banana
  • Cacau

No fim das contas, a retirada das sanções marca uma mudança de tom na relação entre Brasil e Estados Unidos, abrindo espaço para uma agenda de cooperação mais próxima. E, para você, leitor, o que muda na prática quando governantes optam por esse tipo de diálogo direto entre nação e nação?

O que achou deste post?

Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

AO VIVO Sintonizando...