Lula aconselha Alexandre de Moraes no caso Master

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O conselho de Lula a Alexandre de Moraes no caso Master

Presidente afirma ter orientado o ministro do STF a não permitir que o episódio envolvendo o Banco Master manche a imagem da Corte, ao mesmo tempo em que ressalta o papel de Moraes no 8 de janeiro.

Em tom de conversa descomplicada, Lula disse ter aconselhado Alexandre de Moraes a não deixar que o caso envolvendo o Banco Master timbre a biografia do magistrado. A sugestão, segundo o presidente, seria manter a posição de suspeição para o julgamento do processo ligado a Daniel Vorcaro, evitando qualquer ruído que possa incomodar a imagem da Suprema Corte diante da opinião pública.

A conversa ganhou contornos ao explicar por que Moraes não atua no escritório da família há quase uma década e meia — o envolvimento dele com cargos públicos afastou esse vínculo. Já a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, prestou serviços ao Master, mantendo contrato de alto valor até a liquidação da instituição, que está sob investigação de fraudes.

Para ilustrar o recado, Lula citou uma fala direta que ele acredita ser decisiva para não permitir que a atuação do ministro seja interpretada como uma brecha ética: “a minha mulher estava advogando, mas na Suprema Corte, por causa disso, eu me sinto impedido de votar”. No dia a dia, essa percepção de conflito de interesse pode parecer até menor do que a prática jurídica, mas, na prática, ajuda a entender por que a sociedade costuma reagir com firmeza a qualquer sinal de proximidade entre magistrados e casos sensíveis.

Hoje, o cenário é o seguinte: o caso Master tramita na Segunda Turma do STF — da qual Moraes não faz parte — e, por regimento interno, não há previsão de pedidos de suspeição envolvendo julgamentos em turmas diferentes. No entanto, o tema continua gerando debate sobre imparcialidade e o papel da instituição perante críticas públicas.

Além disso, há controvérsias com desdobramentos que chamam a atenção: uma apuração de veículos identificou que ao menos 12 parentes de oito ministros aparecem como advogados em casos na Corte. Em 2023, o STF declarou inconstitucional uma regra que impediria juízes de atuar em processos envolvendo clientes de escritórios com parentes de magistrados, embora a vedação ainda valha quando há atuação direta do familiar no caso. A especialista Luísa Moraes Abreu Ferreira, da FGV Direito SP, apontou que faltam regras claras sobre a atuação desses escritórios fora dessas situações.

Na esteira dessa tensão, o destino do Master também teve seu capítulo recente: Dias Toffoli se afastou da relatoria em fevereiro, sendo substituído por André Mendonça. Um mês depois, Toffoli se declarou suspeito e deixou de participar de decisões envolvendo o banco liquidado. Ele justificou o afastamento com motivos de foro íntimo, reforçando que o jurista precisa manter a confiança pública, ainda que o desenrolar do caso continue em aberto.

Em síntese, a sequência de episódios alimenta a percepção de desgaste na relação entre a Suprema Corte e o debate público. E, no fim das contas, fica a pergunta para o leitor: até onde essas situações afetam a confiança na Justiça e a leitura que o público faz de decisões que moldam o país?

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Jornalista

Fernanda Costa

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