Rússia prepara envio de segundo petroleiro a Cuba apesar de bloqueio dos EUA
Primeiro navio já atracou em Havana com mais de 700 mil barris, com o aval de Trump, que permitiu o carregamento russo como um ‘gesto humanitário’
No radar internacional, a Rússia confirmou, nesta quinta-feira, o planejamento de envio de um segundo petroleiro para Cuba, uma nação que encara uma crise energética grave sob o bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Enquanto isso, o primeiro cargueiro já havia chegado a Havana, trazendo mais de 700 mil barris de combustível, em operação que o governo de Donald Trump descreveu como um gesto humanitário.
O avanço já tem um precedente importante: o navio Anatoly Kolodkin atracou em Havana no início desta semana, com o carregamento acima do que se espera para uma única remessa. Esse marco representou a primeira chegada de um cargueiro desse tipo à ilha caribenha em quase três meses, movimento que, segundo as autoridades norte-americanas, foi autorizado como um gesto humanitário diante da crise cubana.
À imprensa russa, o ministro da Energia Sergei Tsivilev comentou que “um navio da Federação Russa já atravessou o bloqueio; agora, um segundo está sendo carregado”, ressaltando o caráter contínuo do apoio a Cuba. Antes da atracação do segundo petroleiro, o último carregamento havia chegado em 9 de janeiro, quando o México entregou combustível após a derrubada de Nicolás Maduro na Venezuela, processo ligado a uma intervenção militar dos EUA alguns dias antes. Até então, Caracas era o principal fornecedor da ilha.
No centro das atenções, não apenas o abastecimento, mas também o pano de fundo geopolítico. O porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov, afirmou que o tema já tinha sido apresentado aos Estados Unidos previamente, enquanto o presidente dos EUA mantinha posições ambíguas sobre a ajuda a Cuba. Trump chegou a declarar, em diferentes momentos, que não havia “nenhum problema” em abastecer Cuba com petróleo russo, ainda que tenha interrompido a chegada de petróleo venezuelano — e tenha sinalizado a possibilidade de tarifas para outros parceiros, como o México.
Essa leitura se cruza com a realidade diária em Cuba: a ilha vive uma sequência de apagões, racionamentos de combustível e um recuo no transporte público. Em meio a isso, as declarações de Trump, feitas em um fórum de investimentos em Miami, acenderam o debate sobre o que vem pela frente para a relação com os Estados Unidos. Com o discurso, o republicano voltou a falar em mudança de regime, deixando clara a ambição de mudanças políticas na região — uma linha que o governo cubano, por sua vez, matou a esperança com um tom de resistência e de busca por diálogo com Washington.
No dia a dia, os cubanos sentem na pele o peso de uma crise energética que se arrasta há meses. O governo de Miguel Díaz-Canel deixou claro que não descartaria negociações bilaterais para tratar dos problemas pendentes, ao mesmo tempo em que reafirmou a resistência a qualquer ação que ameace a soberania do país. Entre anúncios, contradições e trocas de mensagens, a tensão entre Washington e Havana segue como um ingrediente frequente no noticiário regional.