Os conselhos de um desembargador ao tenente-coronel acusado de matar a esposa PM
Imagens de câmeras corporais da Polícia Militar revelaram os momentos que antecederam a entrada do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto no apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada baleada, em 18 de fevereiro. O registro mostra o encontro do oficial com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, chamado ao local, segundo o próprio magistrado, na condição de amigo. Às 9h07, o desembargador saiu de um elevador, atravessou uma área já isolada e foi direto ao encontro do oficial. Poucos segundos depois, ambos seguiram juntos até o apartamento onde a vítima havia sido encontrada. Gisele morreu no mesmo dia, às 12h04, no Hospital das Clínicas. Na ocasião, o tenente-coronel sustentou que a esposa teria tirado a própria vida, versão que foi repetida ao magistrado e posteriormente a outros policiais. Um mês depois, no entanto, Geraldo Neto foi preso preventivamente sob acusação de feminicídio e fraude processual. Ele passou a responder a processos no Tribunal de Justiça de São Paulo e na Justiça Militar, após investigações apontarem inconsistências na narrativa apresentada inicialmente. Dados obtidos pela investigação mostram que, antes do encontro no prédio, o oficial tentou contato com o desembargador diversas vezes. Entre 8h02 e 8h03, fez ao menos três ligações sem sucesso. O primeiro contato efetivo ocorreu às 8h04, seguido por novas tentativas até cerca de 8h41, quando conseguiu falar novamente com o magistrado. No mesmo intervalo, também tentou acionar o 190 e entrou em contato com um superior, indicando uma sequência intensa de chamadas em poucos minutos. Ao chegar ao local, o desembargador tentou impedir a entrada no apartamento. As imagens registraram que ele afirmou que o ideal seria não acessar o imóvel, que já estava sob preservação policial. Ainda assim, o tenente-coronel insistiu e avançou, sendo acompanhado pelo magistrado. Menos de 30 segundos após o encontro, os dois cruzaram a porta. Dentro do apartamento, o desembargador permaneceu por cerca de 12 minutos. Durante esse período, demonstrou incômodo e voltou a tentar convencer o oficial a deixar o local. Em determinado momento, orientou que ambos “saírem dali”, mas não foi atendido. O tenente-coronel afirmou que precisava tomar banho e pediu que o magistrado aguardasse, o que não ocorreu. Antes de sair, o desembargador reiterou a necessidade de deixar o ambiente isolado. 🚨ASSISTA l Veja o trecho da matéria do #Fantástico que mostrou a barbárie do tenente-coronel da PM que matou a esposa com tiro na cabeça, tentou simular suicídio e fraudou a cena do crimepic.twitter.com/YHFWbrQTsu — Notícias Paralelas (@NP__Oficial) March 23, 2026 Durante a permanência no imóvel, o oficial repetiu a versão de que a esposa teria se suicidado. O relato incluía uma discussão no quarto, seguida por um período no banheiro e a posterior descoberta da vítima na sala, baleada na cabeça, com a arma na mão. A mesma narrativa foi apresentada posteriormente à Polícia Civil. As investigações, conduzidas ao longo de um mês, reuniram provas técnicas que contradizem essa versão, conclusão que também foi referendada pela Corregedoria da Polícia Militar. O desembargador, que mantinha contato frequente com o oficial por mensagens e ligações, foi ouvido como testemunha no caso. Participe de nossos canais e nos siga nas redes sociais:
No dia a dia, o episódio acende o debate sobre apuração, responsabilidade e a busca por versões que resistam ao escrutínio técnico. Geraldo Leite Rosa Neto já vive uma fase de investigação e enfrentamento judicial; Gisele Alves Santana permanece como ponto central da narrativa, cuja defesa inicial de suicídio foi confrontada por provas que apontam outras possibilidades. Além disso, o papel do desembargador, que acompanhava de perto as conversas com o oficial, recebe nova atenção no inquérito e nas sindicâncias. No conjunto, o caso sugere que, mesmo em situações de forte apelo emocional, a prática de uma perquisição criteriosa é crucial para esclarecer fatos e evitar desdobramentos indevidos.
Entre os dados-chave, destacam-se os horários de comunicação antes da visita, as tentativas de contato com o desembargador e as declarações dadas em diferentes fases da apuração. A investigação indica que as provas técnicas confrontam a versão originalmente apresentada, reforçando a necessidade de checagem constante de narrativas em casos de violência doméstica e crimes envolvendo autoridades. O desfecho, por ora, aponta para um processo que segue aberto, com a participação de diferentes instâncias do sistema de justiça e a colaboração de equipes técnicas para confirmar responsabilidades e circunstâncias.