Trump afirma na TV que metas no Irã podem ser alcançadas em breve

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Trump diz na TV que objetivos no Irã estão perto de ser alcançados

Em pronunciamento televisivo, o presidente dos EUA afirmou que está se aproximando da conclusão de seus objetivos militares na guerra contra o Irã e prometeu terminar o trabalho no curto prazo.

Horas após o discurso do presidente, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, moveu uma mudança de comando no Exército: ele pediu ao chefe do Estado-Maior do Exército, Randy George, que deixasse o cargo nesta quinta-feira (2/4), segundo a CBS News. Em resposta, o principal porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, informou em rede social que George “se aposentará de sua posição como o 41º Chefe do Estado-Maior do Exército com efeito imediato”. A decisão ocorre exatamente um dia depois do pronunciamento de Trump, no qual o país foi aconselhado a terminar a guerra contra o Irã “em breve”.

Segundo a CBS, Hegseth busca alguém à frente do Exército cuja visão esteja alinhada à dele e à do próprio presidente. Normalmente, o cargo de chefe do Exército tem mandato de quatro anos, mas George — homem de carreira formado na Academia Militar de West Point — havia sido indicado ao posto em 2023 pelo ex-presidente Joe Biden. Ele atuou como oficial de infantaria na Guerra do Golfo e em operações mais recentes no Iraque e no Afeganistão. O motivo da saída não ficou claro; “somos gratos por seu serviço, mas era hora de uma mudança de liderança no Exército”, disse a CBS, citando um alto funcionário da Defesa que não quis se identificar.

De acordo com jornais e veículos de opinião norte-americanos, o substituto interino será o vice-chefe do Estado-Maior do Exército, general Christopher LaNeve, que assumirá o cargo de forma temporária.

No dia seguinte ao anúncio, o discurso de Trump chamou atenção também pelo teor político-militar. Na sua fala à noite, o presidente afirmou que os EUA estão “se aproximando da conclusão” de seus objetivos na guerra contra o Irã e prometeu “terminar o trabalho” no curto prazo. O tom foi de vitórias rápidas, com o chefe de Estado descrevendo conquistas “rápidas, decisivas e avassaladoras” e a morte de altos líderes iranianos, além de uma capacidade “dramaticamente reduzida” de lançar mísseis e drones.

Neste contexto, Trump assegurou que os EUA vêm vencendo e repetiu que a capacidade do Irã de atacar com mísseis e drones ficou drasticamente reduzida. Alega ainda que a Marinha do Irã está “acabada”, sua força aérea em ruínas e a maior parte de seus líderes mortos. Contudo, ele afirmou que não houve propósito de mudança de regime, ainda que a queda dos dirigentes originais tenha deixado para trás um grupo menos radical e mais conciliador.

Entre outras provocações, Trump disse que os EUA são autossuficientes e que países dependentes do petróleo do Oriente Médio deveriam agora liderar para manter aberto o Estreito de Ormuz, defendendo que esses Estados adotem o petróleo americano. Em tom político, ele ainda citou a Venezuela, apresentando a operação de janeiro como rápida e violenta, com a remoção de um governo adverso; porém, afirmou que tal cenário ainda não se repetiu no Irã.

Nesse meio, Melissa Toufanian, ex-assessora sênior do ex-secretário de Estado Antony Blinken, disse à BBC News que o público americano provavelmente está mais confuso sobre a guerra após o discurso. “Não parece haver um plano claro, nem um cronograma definido que deixe as pessoas mais seguras”, comentou. Enquanto isso, Trump disse ter iniciado negociações com Teerã — algo negado pelo governo iraniano.

No mais recente vaivém diplomático, o presidente divulgou, em rede social, a alegação de que teria conversas com o “novo presidente do regime” do Irã e que aceitaria um cessar-fogo apenas quando o Estreito de Ormuz estivesse “aberto, livre e desimpedido”. Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a afirmação como “falsa e infundada”.

Tratando de alianças, Trump também deixou em aberto a possibilidade de a NATO perder papel estratégico, ao mesmo tempo em que repetia que a guerra deveria terminar rapidamente, com uma leitura de que tudo estaria sob controle. Em conversas com jornalistas no Salão Oval, na Casa Branca, ele chegou a dizer que os EUA sairiam do Irã dentro de “duas ou três semanas”.

O presidente insistiu que o objetivo principal era impedir o Irã de possuir armas nucleares — e afirmou ter conseguido alcançá-lo. “Estamos terminando o trabalho”, repetiu, sem oferecer detalhes práticos sobre um cronograma ou passos seguintes.

Os impactos no mercado não deixaram de aparecer. O petróleo reagiu com alta expressiva, impulsionando bolsas na Ásia para baixo. O Bren atingiu patamar próximo de US$ 106 por barril logo após o discurso, com quedas nos índices acionários japoneses, sul-coreanos e de Hong Kong. O ambiente foi de tensão, não de tranquilidade, entre investidores que aguardam avaliações mais consistentes sobre os próximos passos no conflito.

Quanto aos desdobramentos, as autoridades iranianas reiteraram cautela, afirmando que ataques norte-americanos e israelenses atingiram alvos insignificantes e que a produção militar do Irã ocorre em locais pouco conhecidos pelo exterior, rejeitando a visão de uma redução generalizada do arsenal. Em todo o caso, o histórico do confronto é marcado por uma escalada que já chegou ao Líbano e que envolve várias potências regionais, com impactos diretos para a economia global e para a vida cotidiana dos cidadãos que acompanham a situação de perto.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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