“Praticamente solteira”: a mensagem enviada por PM ao marido 5 dias antes de morrer
Cinco dias antes de ser morta, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves disse ao marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, que estava “praticamente solteira”. A resposta, segundo a investigação, foi imediata: “Jamais! Nunca será!” O crime ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento do casal no Brás, região central de São Paulo. De acordo com a Polícia Civil, mensagens trocadas por WhatsApp mostram que o oficial não aceitava o fim do relacionamento e reagiu com ameaças após a decisão da esposa de se separar.
Os diálogos foram encontrados nos celulares dos dois e passaram a integrar o inquérito. Geraldo foi preso preventivamente e está detido no presídio militar Romão Gomes. A Justiça o tornou réu por feminicídio e fraude processual, pois a acusação sustenta que ele atirou na cabeça da esposa após uma discussão e tentou simular suicídio ao alterar a cena do crime.
Segundo o Ministério Público, o relacionamento era problemático. Na denúncia, a Promotoria descreve o crime dentro de um contexto de abuso psicológico, machismo, controle financeiro, ciúme patológico e a decisão firme da vítima de pedir o divórcio. Nas mensagens, Gisele chegou a dizer que queria a separação e escreveu “quero o divórcio” e “se considere divorciado”. O marido, por sua vez, se autodenominou “macho alfa” e exigiu submissão.
“Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”, declarou. Outras mensagens revelam imposições de comportamento e regras dentro de casa. “Enquanto estiver casada comigo e vivendo na minha casa, na minha comanda, as coisas serão do meu jeito” foi um dos trechos citados.
Em outro trecho, ele deixou claro o papel financeiro: “Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo” e ainda se descreveu com uma longa lista de atributos como “Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano”.
Laudos periciais e a reprodução da cena indicam que a vítima foi morta pelo marido, o que fundamenta a acusação de feminicídio. O Ministério Público também pediu que, em caso de condenação, fosse fixada uma indenização mínima de R$ 100 mil à família. A tendência é que o caso seja julgado pela Justiça comum, com decisão final do Tribunal do Júri.
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