Tenente-coronel usou celular da esposa e apagou mensagens após matá-la

Ouvir esta notícia

Tenente-coronel usou celular da esposa e apagou mensagens após matá-la, diz polícia

A investigação da Polícia Civil sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana aponta que o celular da vítima foi desbloqueado minutos após o disparo, ocorrido no Brás, área central de São Paulo. A análise de dados aponta acessos às 7h47, 7h49 e 7h58, exatamente quando testemunhas indicam que ela já poderia estar ferida. O marido da vítima, tenente-coronel Geraldo Neto, acionou a Polícia Militar às 7h54. Uma vizinha relatou ter ouvido apenas um disparo às 7h28. Para os investigadores, a sucessão de desbloqueios sugere manipulação do aparelho após o crime. Além disso, peritos identificaram que mensagens foram apagadas no celular do oficial. Mesmo assim, os dados recuperados no celular de Gisele revelam conversas do dia anterior à morte, com discussões sobre separação. Em uma mensagem enviada perto das 23h, a soldado menciona que o marido poderia iniciar o divórcio. A polícia sustenta que a eliminação de mensagens tinha o objetivo de sustentar a versão inicial que indicava a decisão de se separar partindo dele. A hipótese de suicídio foi descartada com base em laudos periciais e na reconstrução do caso. Relatos de policiais militares apontam um histórico de comportamento agressivo.

Testemunhas relatam episódios em que o oficial teria exercido pressão sobre a vítima, incluindo um empurrão contra a parede dentro do quartel, além de uma situação em que teriam colocado as mãos no pescoço da soldado. Há também relatos de afastamentos temporários do local antes do casamento. Segundo colegas, Gisele apresentava mudanças no comportamento na presença do marido, tornando-se mais reservada e tensa. O conjunto de depoimentos é visto como um possível padrão de controle, com ciúmes frequentes e preocupação com as reações da companheira. Do ponto de vista do Ministério Público, laudos e provas indicam que o tenente-coronel agiu ao segurar a cabeça da vítima e realizar o disparo, com acusações ainda de tentativa de simular suicídio e de manipular a cena do crime.

Ela permanece presa desde 18 de março, respondendo por feminicídio e fraude processual, enquanto a defesa nega o delito e mantém a versão de suicídio. No dia a dia, esse caso reacende o debate sobre violência doméstica e o papel das instituições em proteger as vítimas, especialmente em contextos de relação de poder.

O que achou deste post?

Jornalista

André Santos

AO VIVO Sintonizando...