Dia da Mentira: chamadas enganosas alimentam golpes no Brasil

Ouvir esta notícia

Dia da Mentira: ligações falsas impulsionam golpes no Brasil e preocupam especialistas

Com milhões de vítimas no país, golpes por telefone exploram urgência e seguem como uma das principais portas de entrada para fraudes

As ligações que prometem soluções rápidas para problemas bancários, cobranças indevidas ou supostos desvios nas contas continuam rendendo golpes no Brasil. No dia a dia, muitos atendem ao impulso de tomar decisões imediatas diante de ameaças fictícias. No contexto atual, o telefone mantém-se como canal eficiente para criminosos, justamente por explorar a emoção em vez de falhas tecnológicas.

Dados recentes ajudam a entender o cenário. 40% dos brasileiros admitiram já ter caído em algum golpe envolvendo telefone, com o prejuízo médio estimado em R$ 6 mil. Além disso, relatos de usuários do Who Calls — aplicativo da Kaspersky para identificar e bloquear chamadas indesejadas — indicam que termos como “fraude”, “golpe” e “spam” aparecem com frequência, seguidos de categorias como “fraude bancária”, “golpe financeiro” e “estelionato”.

Quem tem pressa costuma ser o público-alvo. A mensagem costuma enfatizar urgência, criando a falsa sensação de necessidade imediata de fornecer informações ou de realizar transações. Nesse cenário, o setor financeiro aparece como o centro da ofensiva, com evidência de golpes envolvendo o Pix e técnicas como falso atendente ou suporte técnico.

No dia a dia, a prática criminosa faz o público tropeçar justamente porque a abordagem privilegia o aspecto emocional. Na prática, a pressa inibe a avaliação crítica, levando a decisões precipitadas. E os impactos vão além do bolso: cada golpe é uma tentativa de capturar dados sensíveis que podem abrir portas para novos ataques no futuro.

As estatísticas nacionais também chamam a atenção. A Serasa Experian divulgou números do Indicador de Tentativas de Fraude que apontam para mais de 10 milhões de brasileiros atingidos entre janeiro e setembro do ano anterior — uma ocorrência a cada 2,2 segundos. No universo das fraudes, o setor bancário figura como principal alvo, respondendo por cerca de 60% das tentativas quando se faz o recorte por área. E o cenário ganhou contornos ainda mais complexos com a expansão do Pix: dados de 2025 indicam aproximadamente 28 milhões de casos envolvendo a ferramenta.

Quais são, afinal, os golpes mais comuns? A Kaspersky aponta três táticas recorrentes: falsos atendentes bancários que comunicam movimentos suspeitos para obter dados; falsas centrais de operadoras ou suporte técnico que induzem a instalação de apps maliciosos; e a tentativa de criar contato com órgãos oficiais, como o INSS, para obter informações ou instalar software invasivo. Além disso, fraudes em compras online também ganham espaço, enquanto as chamadas silenciosas podem parecer inofensivas, mas servem para mapear números ativos e recolher trechos de voz úteis para golpes futuros.

Como se proteger? Os órgãos de defesa do consumidor reforçam a mensagem de prevenção. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor orienta que dados pessoais não sejam compartilhados em contatos não verificados e que se desconfie de abordagens não esperadas. A Federação Brasileira de Bancos avisa que nenhum gerente ou funcionário de banco solicita senhas, dados financeiros ou transferências para “resolver problemas” na conta — se isso acontecer, encerre a conversa. Já o Procon-PR destaca a importância da educação digital e da atenção ao uso do celular para reduzir o risco de fraudes. Em caso de suspeita ou prejuízo, a recomendação é recorrer a canais oficiais, como o consumidor.gov.br e o Procon, para registrar ocorrências e buscar orientações.

No fim das contas, manter a guarda alta no momento de qualquer ligação não solicitada faz a diferença. O leitor pode se proteger com atitudes simples: confirmar por canais oficiais, evitar compartilhar senhas ou dados sensíveis por telefone e resistir à tentação de agir sem checagem. A educação digital, aliada a uma postura cética saudável, ajuda a reduzir o impacto dessas investidas cada vez mais sofisticadas.

Ao longo do texto, fica o convite para ficar atento e compartilhar essas informações com amigos e familiares. Golpes por telefone continuam a evoluir, mas com informação adequada e cuidado cotidiano é possível cortar o caminho dos criminosos e evitar prejuízos desnecessários.

O que achou deste post?

Jornalista

Renata Oliveira

AO VIVO Sintonizando...