Polícia solicita prisão do marido de PM morta a tiro na cabeça

Ouvir esta notícia

Polícia pede prisão de marido de PM morta com tiro na cabeça

A Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça a prisão do tenente-coronel da PM, Geraldo Leite Rosa Neto, após investigações sobre a morte de sua esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. Ela foi encontrada morta com um tiro na cabeça no mês passado, de…

O desfecho de um caso que ganhou contornos de dúvida ganhou um novo impulso: a polícia civil solicitou à Justiça a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito de envolver-se na morte da companheira, a policial Gisele Alves Santana. O corpo foi localizado no apartamento em Brás, centro de São Paulo, apresentando um cenário que não parecia indicar suicídio, conforme dados reunidos pela perícia técnico-científica. Além disso, laudos anexados reforçam a hipótese de que a morte não ocorreu por opção da vítima.

Entre os elementos que embasam a investigação, destacam-se exames toxicológicos que afastam consumo de drogas ou álcool pela vítima, bem como a confirmação de que Gisele não estava grávida, como chegou a ser cogitado em algum momento. O estudo de manchas de sangue em diferentes cômodos do imóvel também contribui para a leitura de uma dinâmica diferente da que havia sido apresentada inicialmente. A polícia continua aguardando novos resultados complementares para esclarecer com mais precisão as circunstâncias do disparo.

O caso, que inicialmente foi registrado como suicídio, passou a ser tratado como morte suspeita depois que a família da policial contestou a versão apresentada. A exumação do corpo trouxe novas informações: as perícias identificaram lesões no rosto e no pescoço, possivelmente provocadas por pressão, o que pode indicar que a vítima tenha sido imobilizada antes do disparo. Além disso, não houve sinais de defesa que indiquem reação no momento do ataque.

Outra linha que chamou atenção foi o depoimento de uma vizinha, que relatou ter ouvido um estampido por volta das 7h28. Aproximadamente meia hora depois, às 7h57, Geraldo ligou para o serviço de emergência afirmando que sua esposa havia se suicidado. No entanto, socorristas ressaltaram que a sequência de acontecimentos não bateu com o que se esperaria diante de uma situação de violência no interior do apartamento.

Entre os relatos que ganharam peso está a observação do atendimento médico sobre a posição da arma, tida como incomum em casos de suicídio. Os profissionais também foram surpreendidos ao constatar que o sangue já apresentava coagulação ao chegar ao local, mas não havia cartucho de bala disponível. Esses detalhes alimentam dúvidas sobre a cena do crime.

Além disso, ganhou destaque a ligação de Geraldo para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que chegou ao apartamento por volta das 9h07. A presença do magistrado, considerada incomum, ocorreu logo após o disparo, segundo apurações. Imagens de câmeras de segurança mostraram a entrada e saída de três policiais no apartamento no mesmo dia, com relatos de que permaneceram ali por cerca de 50 minutos e não levaram objetos.

A defesa de Geraldo nega qualquer envolvimento e afirma que o oficial não é investigado, nem suspeito ou indiciado, destacando que ele vem colaborando com as investigações. No cotidiano do público, o caso reacende questionamentos sobre como as peças se encaixam, especialmente quando há dúvidas sobre a versão inicial e a dinâmica da cena. Mas, no fim das contas, o que fica é a necessidade de uma apuração completa para esclarecer as responsabilidades, sem atalhos.

O que achou deste post?

Jornalista

Fernanda Costa

AO VIVO Sintonizando...