Defesa de Bolsonaro diz que desconhecia vídeo de Eduardo até ser intimada por Moraes
A defesa de Jair Bolsonaro afirmou que só tomou conhecimento da declaração de Eduardo sobre um suposto vídeo gravado para o ex-presidente após a intimação do ministro Alexandre de Moraes, sem nenhum conhecimento prévio. O material teria sido feito durante evento no exterior e envolve o ex-chefe do Executivo, que hoje cumpre prisão domiciliar.
No dia em que Eduardo Bolsonaro subiu ao palco da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos, ele gravou com o celular uma manifestação em que descreve o vídeo como algo para mostrar ao pai. Na prática, ele disse que mostraria aos seus, e ao Brasil, que não se pode silenciar um movimento injustamente, tirando a liderança de Jair Messias Bolsonaro. Além disso, a fala ocorreu enquanto o pai ainda enfrentava medidas restritivas por ordem da Justiça brasileira.
A defesa do ex-presidente sustenta que o conhecimento do conteúdo em questão só ocorreu com a intimação do despacho, não havendo qualquer ciência prévia sobre a gravação realizada por terceiros durante o evento no exterior. Segundo os advogados, o material em questão corresponde à manifestação verbal de terceiros, sem participação de Bolsonaro, gravada fora do país e sem a divulgação por parte do ex-presidente.
“À vista desse contexto, não há nenhum dado objetivo que indique comunicação atual, direta ou indireta, com Jair Bolsonaro, tampouco gravação, reprodução ou utilização de qualquer meio vedado no âmbito da prisão domiciliar humanitária temporal”, conclui a manifestação apresentada pela defesa. Em síntese, o texto jurídico busca afastar qualquer nexo entre Bolsonaro e o conteúdo descrito, reforçando que ele não teve envolvimento direto na gravação ou na divulgação, conforme o entendimento dos advogados.
Sobre o cenário de restrições, Bolsonaro permanece em prisão domiciliar desde a última sexta-feira, 27, após longa internação em hospital particular em Brasília para tratar de uma broncopneumonia. Ao converter a prisão em regime domiciliar, Moraes determinou medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de celulares e redes sociais. No pedido de esclarecimentos à defesa, o ministro recorda que qualquer descumprimento dessas regras pode levar à revogação do regime e ao retorno imediato ao regime fechado ou, se for o caso, ao hospital penitenciário.
Na prática, o episódio coloca em foco a relação entre a defesa de Bolsonaro e uma possível divulgação de conteúdos considerados sensíveis, já sob o crivo de decisões judiciais. O desdobramento não apenas inflama o debate político, mas também ressalta o como esse tipo de material pode mexer com o clima público nesse momento.
No fim das contas, a linha que a defesa tenta estabelecer é de que não houve conhecimento prévio, nem participação no material citado, e que as medidas de restrição existentes permanecem válidas independentemente de qualquer novo registro ou declaração.