Trump recua e autoriza Cuba a receber petróleo da Rússia
Petroleiro sancionado Anatoly Kolodkin é o primeiro em quase 3 meses a atracar na ilha sufocada pela energia, em meio a tensões entre EUA, Rússia e Havana
Em meio a uma crise econômica que mexe com o dia a dia de Cuba, surge uma notícia que pode mexer com o humor social na ilha: o petroleiro russo Anatoly Kolodkin recebeu a autorização para atracar no porto de Matanzas. O navio representa o primeiro carregamento de petróleo bruto a chegar a Cuba em quase três meses, desde que as remessas venezuelanas foram suspensas pelos Estados Unidos, deixando a economia cubana sob pressão.
Segundo autoridades russas, o carregamento de aproximadamente 730 mil barris de petróleo bruto está prestes a ser descarregado, reforçando o elo entre Moscou e Havana. O Kremlin informou que continuará apoiando a ilha com suprimentos, mesmo diante do bloqueio econômico imposto pelos EUA. Para a parte externa, a narrativa ganhou um contorno adicional quando fontes apontaram que, para evitar um possível confronto com Moscou, a guarda costeira dos EUA autorizou a passagem do petroleiro russo rumo ao porto cubano.
No dia a dia, Cuba tem lutado para manter usinas operacionais e transporte funcionando, sob o peso de apagões frequentes. Em meio a isso, Trump afirmou que, se outros países desejarem enviar petróleo para Havana, não haveria problema desde que haja atendimento à população — inclusive citando a necessidade de aquecimento e resfriamento. A fala ecoou em meio ao clima de tensão internacional e aos desdobramentos sobre quem manterá o fluxo de energia para a ilha.
Já pelos bastidores, o Peterspaperestima que, dias antes, o presidente russo Vladimir Kremlin levantou a questão da passagem durante conversas com os Estados Unidos. O porta-voz Dmitry Peskov confirmou que a Rússia via a ajuda a Cuba como um dever para com os seus aliados, destacando que a questão foi discutida com parceiros americanos de forma preliminar. “Essa questão foi realmente levantada antecipadamente durante contatos com nossos parceiros americanos”, disse Peskov, reforçando a disposição de manter o canal de diálogo aberto.
Quanto à intensidade da dependência de petróleo em Cuba, os números ajudam a entender o cenário: desde o início do ano, Cuba não tem recebido grandes volumes de petróleo e, em 9 de janeiro, o país já havia recebido apenas 84,9 mil barris vindos do México. Em 2025, a média de importação do regime ficou em cerca de 37 mil barris por dia, com grande participação de México e Venezuela, de acordo com o Financial Times. E, apesar da incerteza sobre novos envios, Peskov sinalizou que, na prática, não há como ignorar a situação difícil que os cubanos enfrentam e que a Rússia continuará avaliando suas opções de apoio.
Ainda segundo dados de rastreamento da indústria naval, o petroleiro russo partiu do porto Primorsk, no mar Báltico, em 8 de março e, desde então, movia-se ao longo da costa norte de Cuba, aproximando a ilha de uma nova realidade energética. Entre os desdobramentos diplomáticos e econômicos, a situação permanece sob observação — e para quem acompanha o dia a dia de Cuba, tudo se resume a como essa nova injeção de petróleo pode impactar a vida cotidiana, desde a iluminação até o funcionamento de serviços básicos.
No fim das contas, o que está em jogo vai além de um único cargamento. Trata-se de entender como um país sob forte pressão econômica, com infraestruturas vulneráveis, tenta manter o mínimo de funcionamento possível com ajuda externa e escolhas políticas que repercutem para além de suas fronteiras. E você, o que acha que muda no cotidiano cubano com esse tipo de operação?