A aposta fracassada de Ratinho para as eleições de outubro

Ouvir esta notícia

A aposta naufragada do apresentador Ratinho para as eleições de outubro

Ratinho-pai tentou emplacar chapa formada pelo filho e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, mas negociações não avançaram

No bastidores da política, Ratinho-pai tentou abrir caminho para uma chapa com o Ratinho Júnior na cabeça e Michelle Bolsonaro na vice, mirando as eleições de outubro. A ideia era confrontar a polarização e construir uma narrativa de continuidade familiar aliada a um perfil de gestão, mas o projeto ficou no papel: as conversas não se consolidaram e o grupo acabou não avançando.

Além disso, o cenário exigia celeridade para o PL definir a chapa de forma objetiva. Valdemar Costa Neto, no entanto, costumava segurar o ritmo, sugerindo que só haveria um movimento decisivo com a sinalização do ex-presidente. Na prática, a demora dificultou qualquer acordo sólido e deixou o plano em suspenso.

No decorrer dos meses, o contexto político também ajudou a compor o cenário. A ideia era dar ao filho visibilidade nacional, apostando que a popularidade de Ratinho Júnior poderia abrir portas em estados historicamente difíceis para o PT, especialmente no Nordeste. Mesmo assim, o composite de alianças ficou não apenas desfavorável, como também inseguro, já que a decisão final dependia de apoios que não se fecharam.

Enquanto isso, o próprio Ratinho Júnior passou a ser alvo de sondagens para integrar a chapa de Flávio Bolsonaro como possível vice. Entretanto, ele recusou o convite e, logo depois, anunciou a retirada da condição de pré-candidato ao Planalto pelo PSD. A situação reforça a leitura de que as cartas ainda estavam em jogo e que nenhum acordo definitivo tinha sido alcançado.

Na prática, o tema ganhou contornos adicionais com a atuação de Gilberto Kassab, presidente do PSD, que prometia fechar a definição até o fim do mês. O partido avaliava a hipótese entre Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) como nomes possíveis para liderar a corrida pela legenda, mantendo a possibilidade de novas tabelas até que tudo estivesse claro para os próximos passos.

Do lado econômico, o pano de fundo não ficou ausente: em 2020, a subsidiária de telecomunicações da Copel foi vendida para um fundo em que figureava Nelson Tanure, figura polêmica que vem sendo investigada em desdobramentos de operações financeiras. A investigação ganhou novas fases e levou a mandados de busca e apreensão, reforçando a ideia de que o ambiente de negócios e o ambiente político caminham juntos nesse cenário conturbado.

Entre as suspeitas, os investigadores consideraram a hipótese de Tanure atuar como sócio oculto do antigo dono do Master, o que acendeu o debate sobre contatos entre o setor de telecomunicações, a gestão de ativos e as trajetórias políticas que costumam abastecer campanhas. No dia a dia, esse tipo de narrativa alimenta interpretações sobre quem, de fato, atrai apoio financeiro e influência para além das rodas da política.

No fim das contas, Ratinho Júnior mantém uma leitura forte entre o eleitorado, com avaliação estimada em cerca de 80% de aprovação, o que alimenta a curiosidade sobre como as peças do tabuleiro podem se rearranjar até outubro. Enquanto choros de oposição e rumores de bastidores seguem em pauta, o que realmente muda na prática ainda é uma incógnita para quem acompanha de perto o cenário.

Em resumo, a história mostra como alianças familiares, negociações partidárias e movimentos financeiros podem se entrelaçar de maneira imprevisível. Para o leitor, resta acompanhar os próximos passos e observar como essa dança de nomes, interesses e promessas pode redesenhar o mapa da corrida presidencial de 2026.

O que achou deste post?

Jornalista

André Santos

AO VIVO Sintonizando...