Milhares voltam às ruas dos EUA em nova edição dos protestos No Kings contra Trump
Manifestantes pedem mudanças em políticas vinculadas à guerra no Irã, à imigração e ao custo de vida
Neste sábado, 28 de março de 2026, centenas de milhares de pessoas saíram às calçadas em várias cidades dos Estados Unidos, marcando a terceira edição do movimento No Kings, que já reuniu multidões de proporções expressivas em edições anteriores. Em meio a cartazes e estetoscópios de voz, os participantes deixaram claro que não concordam com o rumo adotado pela administração atual, especialmente em temas como a guerra no Irã, a aplicação de leis de imigração e o peso financeiro que atinge famílias comuns.
Os organizadores afirmam que o protesto é uma reação às políticas impostas pelo presidente Donald Trump, citando impactos diretos na vida cotidiana: guerra no exterior, endurecimento de ações de imigração e o aumento do custo de vida. “Trump quer nos governar como um tirano. Mas esta é a América, e o poder pertence ao povo — não a aspirantes a rei nem aos seus cúmplices bilionários”, afirmaram os porta-vozes, ressaltando a defesa da democracia diante de medidas que consideram autoritárias.
Um porta-voz da Casa Branca respondeu, chamando o movimento de “sessões de terapia da Síndrome de Desarranjo por Trump” e sugerindo que as únicas pessoas realmente interessadas são os repórteres que cobrem o movimento. A troca de farpas mostrou o acirramento do debate entre governo e parcela expressiva da sociedade que vê nos protestos um barômetro da pressão popular.
Ao longo do dia, as manifestações se espalharam por grandes centros como Nova York, Washington, DC e Los Angeles. Em Washington, o movimento ganhou impulso com partidas de Arlington, na Virgínia, rumo à capital, e manifestantes que se alinharam nas escadarias do Memorial Lincoln para se dirigir ao National Mall. Em paralelo, as edições anteriores do No Kings foram mantidas como referência: esculturas com os rostos de Trump e do vice-presidente JD Vance apareceram como símbolos de cobrança pública e de pedido de responsabilização.
Milhares tomaram as ruas da Times Square, enquanto uma marcha organizada pelo No Kings percorreu o coração de Midtown, em Manhattan. A mobilização exigiu esforço logístico considerável: as ruas, normalmente movimentadas, foram bloqueadas para acomodar a fluidez das multidões. No registro de outubro passado, a polícia de Nova York informou a presença de mais de 100 mil pessoas em toda a cidade, um número que, na prática, sinaliza a dimensão do movimento para a imprensa e para a própria população.
A edição atual trouxe números elevados e uma demonstração de suporte de várias comunidades regionais. Diversos estados chegaram a mobilizar a Guarda Nacional para assegurar a segurança de participantes e alignar as rotas das marchas. Ainda assim, os organizadores repetem que as ações ocorreram de forma pacífica, com foco no basta dos motivos que motivam o protesto.
No cenário político, a gestão de Trump prossegue defendendo as medidas como necessárias para reconstruir o país, enquanto críticos ressaltam que algumas dessas ações podem ter contornos inconstitucionais e representarem uma ameaça ao funcionamento democrático. Desde o retorno à Casa Branca, em janeiro, o presidente ampliou o alcance de ordens executivas para reconfigurar partes do governo federal e mobilizar tropas da Guarda Nacional para diversas cidades, o que tem provocado resistências de governadores estaduais.
O episódio envolvendo agentes federais de imigração em Minneapolis, que resultou na morte de dois cidadãos norte-americanos — Alex Pretti e Renee Good —, gerou onda de indignação e protestos por todo o país. Em resposta, o governo tem pedido ao aparato policial que prossiga com ações contra o que classifica como inimigos políticos, enquanto a defesa de medidas consideradas pelas críticas como autoritárias continua aquecendo o debate nacional.
Os apoiadores da administração argumentam que as escolhas são indispensáveis para enfrentar uma crise estrutural, mas a oposição — entre políticos, especialistas e cidadãos comuns — insiste que a linha adotada pelo governo pode ameaçar direitos básicos e abrir espaço para autoritarismo disfarçado de urgência. No dia a dia, a sensação é de que a sociedade está dividida entre quem acredita que as mudanças são urgentes e quem teme que o custo da contenção ultrapasse o benefício pretendido.
As intervenções — tanto em grandes centros quanto em cidades menores — mostraram que o movimento No Kings permanece ativo e capaz de mobilizar diferentes comunidades. Em cidades como Boston, Nashville e Houston, os organizadores anunciaram novas concentrações ao longo do dia, enquanto outras comunidades menores, como Shelbyville (Kentucky) e Howell (Michigan), também viram multidões se formarem para destacar a oposição a políticas específicas.
Entre cartazes que pedem o fim da intervenção na guerra no Irã e o fim de medidas associadas ao Serviço de Imigração e Alfândega, a manifestação também contou com a participação de cidadãos que vivem no exterior, que se reuniram em Paris, Londres e Lisboa. Em cada local, muitos manifestantes empunharam mensagens duras contra o presidente, rotulando-o de fascista e de criminoso de guerra, além de exigir seu impeachment e afastamento definitivo.
Quando o dia chega ao fim, a pergunta que fica é simples: qual o impacto real desses protestos na prática cotidiana do brasileiro que acompanha tudo de perto? No fim das contas, o que se vê é uma mobilização maciça que busca manter acesa a discussão sobre o rumo da política externa e de imigração dos EUA, ao mesmo tempo em que reforça a importância de o eleitorado acompanhar de perto as decisões que moldam a vida de milhões.