Caso Gisele Santana: Intervalo de 30 minutos para socorro e limpeza da cena intrigam polícia
Advogado da família aponta equimoses de dedos e posição atípica da arma como provas de que a policial não cometeu suicídio; marido é o principal investigado
Novos desdobramentos envolvendo a morte da policial militar Gisele Alves Santana reacendem dúvidas sobre o que realmente aconteceu naquela noite. O conjunto de evidências tem alimentado a linha de investigação que aponta para feminicídio, desafiando a versão inicial de suicídio. Na última sexta-feira, após a exumação do corpo, a perícia identificou marcas no pescoço da vítima que, para o advogado da família, José Miguel da Silva Júnior, lembram equimoses provocadas pela pressão de dedos, sugerindo imobilização ou agressão antes do disparo.
Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite. Enquanto o oficial registrou o caso como suicídio, a defesa aponta incongruências temporais e comportamentais relevantes. Uma testemunha vizinha relatou ter ouvido o disparo às 7h28, mas o socorro só foi acionado pelo coronel às 7h57, um intervalo de quase 30 minutos.
Além disso, o fato de o marido ter tomado banho logo após o ocorrido e a presença de três policiais femininas para realizar a limpeza da cena algumas horas depois geram estranheza e constam nos autos. Outro ponto determinante para a investigação envolve a posição da arma: fotos anexadas ao processo mostram a pistola .40 “grudada” na mão da vítima, algo que especialistas e socorristas consideram atípico em casos de autoprovocação de morte. O advogado da família explicou que, em uma situação dessas, a arma dificilmente ficaria presa à mão de quem dispara.
Os depoimentos dos primeiros socorristas que chegaram ao local também indicam que a cena não era compatível com a narrativa apresentada pelo marido. No momento, o caso tramita em sigilo judicial, sob a responsabilidade do 8º Distrito Policial. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que aguarda a conclusão dos laudos de reconstrução e da exumação para dar prosseguimento ao inquérito. A família da policial pleiteia a reclassificação oficial do caso para feminicídio, fundamentando-se no conjunto de provas técnicas e testemunhais que contestam a versão do tenente-coronel.
Esses desdobramentos ganham espaço no debate público, destacando a importância de apurações criteriosas em casos envolvendo profissionais da segurança pública. No fim das contas, cabe à Justiça esclarecer de forma célere o que de fato ocorreu e reforçar a confiança da população nas instituições.