Desaprovação de Lula entre jovens de 16 a 24 anos atinge patamar expressivo, aponta AtlasIntel
Nova leitura dos dados AtlasIntel-Bloomberg mostra que 72% dos jovens reprovar Lula, empurrando a média para além de 53% quando considerados todos os públicos
Uma pesquisa recente, realizada pelo AtlasIntel em parceria com a Bloomberg e publicada em março de 2026, coloca os olhos nos jovens. O recorte de 16 a 24 anos aparece como o grupo em que a desaprovação de Luiz Inácio Lula da Silva é mais acentuada. No conjunto da amostra, formada por 5.028 eleitores entre 16 e 100 anos, o percentual que desaprova o presidente ficou em 72% dentro desse faixa etária, um indicativo claro de como o humor político pode divergir conforme a idade.
No cruzamento demográfico apresentado, a maior desaprovação não surpreende quem observa a pirâmide etária: o grupo mais jovem lidera a curva de rejeição, enquanto a maior taxa de aprovação fica entre quem tem entre 45 e 59 anos, com 58,8% de aprovação. A leitura reforça que o recorte por idade é decisivo para entender o panorama geral, que continua em movimento.
Para quem olha o conjunto do país, a margem de erro declarada é de 1 ponto percentual. Contudo, quando se olha para os segmentos, esse equilíbrio pode oscilar, porque as amostras ficam bem menores. Além disso, a parcela dos entrevistados com 16 a 24 anos representa apenas 10,5% do total, correspondendo a cerca de 528 pessoas entre as 5.028 entrevistas. O dado de desaprovação de 72% é específico a esse grupo, ainda que a tendência geral permaneça em foco.
De modo geral, sem segmentação, a tendência de desaprovação ganhou espaço ao longo de várias leituras do AtlasIntel. Em março, os números indicaram 53,5% de desaprovação, frente a 45,9% de aprovação e 0,6% que não souberam responder. No que diz respeito à avaliação do governo, a somatória ficou em 49,8% de Ruim/Péssimo, 40,6% de Bom/Ótimo e 9,6% Regular, sinalizando uma percepção global ainda mais crítica entre os entrevistados.
Interessante observar a trajetória recente: a desaprovação vem se mantendo em patamares elevados ao longo de, pelo menos, três levantamentos. Em janeiro, a desaprovação ficou em torno de 51%; em fevereiro, subiu para 52%; e, em março, atingiu 53%. No dia a dia, isso pode parecer apenas números, mas traduz uma parcela significativa da população que se mostra cética em relação ao governo.
Quando os números são segmentados por faixa etária, o retrato fica ainda mais claro: entre os jovens de 16 a 24 anos, 65,2% avaliam o governo como ruim ou péssimo; na faixa de 25 a 34, esse indicador é de 57,7%. No conjunto, isso ajuda a entender a força de uma certa geração na leitura da política nacional, que tende a resistir a consensos fáceis e a buscar explicações que expliquem melhor o cenário.
No fim das contas, a leitura é de que a desaprovação entre jovens é significativa e pode influenciar o debate público, especialmente em temas que costumam mobilizar esse público. Mas, claramente, o que isso muda na prática para quem convive com a oferta de políticas e propostas diariamente? O tempo dirá, e os próximos levantamentos vão indicar se esse descompasso entre geração e governança tende a se manter ou se desconstrói com novas mensagens e ações.