Figure AI: conheça startup por trás do robô humanoide que caminhou com Melania Trump
Empresa está desenvolvendo robôs de uso geral
Na última quarta-feira, a Casa Branca abriu espaço para o que já se desenha como um capítulo marcante na robótica: o primeiro convidado robô humanoide a desfilar ao lado da primeira-dama Melania Trump. O modelo apresentado era o Figure 3, produzido pela Figure AI, uma startup que tem ganhado destaque no radar da IA física. O episódio aconteceu durante a segunda jornada da Cúpula Global Fostering the Future Together, evento voltado para tecnologia e educação infantil.
O dispositivo acompanhou Melania em várias ocasiões, cumprimentando participantes em diversos idiomas e se apresentando como “um humanoide construído nos Estados Unidos da América”. A defesa dessa presença foi usada pela primeira-dama para promover sua iniciativa de IA na educação infantil, sugerindo, de forma simples e prática, que máquinas poderiam, sim, atuar como educadores em casa. Já a Figure AI ressalta que seus humanoides de terceira geração também se prestam a funções mais amplas, incluindo demandas comerciais e domésticas. Esse destaque na administração pública certamente posiciona a Figure AI entre os nomes que vão aparecer com mais intensidade no mercado.
Conheça a empresa por trás do Figure 03. Fundada em 2022 por Brett Adcock, veterano do ecossistema tecnológico que já cofundou a companhia de drones Archer Aviation e o marketplace de contratação digital Vettery, a startup segue alimentando seus robôs com o sistema próprio Helix AI. Trata-se de um modelo de visão-linguagem-ação que aprende observando o ambiente e seguindo comandos verbais para realizar tarefas, de forma contínua e adaptável.
O entusiasmo em torno da IA aplicada à robótica física ajudou a Figure AI a acelerar sua trajetória de crescimento: em setembro, a empresa captou mais de US$ 1 bilhão em uma rodada de financiamento com a participação de grandes nomes como Nvidia, Intel e Qualcomm. O aporte elevou o valor de mercado da companhia para US$ 39 bilhões e, segundo os planos, deve viabilizar a implantação de milhares de robôs em lares e operações logísticas nos próximos anos. Além disso, a startup já iniciou uma parceria comercial com a BMW, que utiliza os equipamentos para manuseio de peças em linhas de fabricação.
Processo judicial em curso não deixa de acompanhar o caminho da empresa. Apesar da exposição pública proporcionada por Melania Trump, a Figure AI responde a uma ação movida no ano anterior por Robert Gruendel, ex-chefe de segurança de produtos. Ele alega ter sido demitido de forma injusta após ter alertado executivos de que os robôs teriam força suficiente para causar ferimentos graves. A denúncia, apresentada em uma Justiça da Califórnia, afirma que os robôs possuíam velocidade além da humana e, em um episódio, um deles teria danificado o batente de uma porta de aço de uma geladeira durante uma falha. A CNBC reporta que a empresa contesta as acusações, afirmando que Gruendel foi desligado por desempenho inadequado e classificando as alegações como falsas.
No âmbito empresarial, esse momento não é o primeiro a colocar Adcock e seus projetos no centro dos holofotes. A Archer Aviation, por exemplo, viu suas ações acelerarem após uma Ordem Executiva assinada pelo presidente dos EUA, que instituiu um programa para promover a integração segura de táxis aéreos elétricos nas cidades americanas. A Archer permanece envolvida na iniciativa e já participa de demonstrações de aeronaves, ampliando o ecossistema em torno da visão de mobilidade urbana.
No dia a dia, esse conjunto de notícias mostra uma tendência clara: a combinação de robótica, IA de ponta e aplicações comerciais pode estar próxima de se tornar parte do cotidiano. Enquanto o debate sobre segurança e uso responsável avança, o público passa a enxergar com mais clareza onde a tecnologia pode atuar — em casas, indústrias e no ensino. A leitura de longo prazo é simples: as inovações em torno da Figure AI e de seus protótipos de uso geral prometem não apenas performar melhor, mas também popularizar a ideia de robôs como parte do dia a dia, do trabalho e da educação das crianças.