TC suspeito de matar esposa: não se separaram por dep. financeira dela

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Tenente-coronel suspeito de matar a esposa afirma que não se separaram por dependência financeira

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No centro de um caso que mistura tensões familiares e apuração policial, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto sustentou em interrogatório que não houve separação do casal por questões financeiras. A esposa, a cabo da Polícia Militar Gisele Alves Santana, é vítima de homicídio com disparo na cabeça, ocorrido no dia 18 de fevereiro. Neto foi preso preventivamente em 18 de março e a Justiça Militar de São Paulo aceitou a denúncia contra ele na mesma data. A defesa contesta a versão apresentada e aponta controvérsias levantadas pela perícia, enquanto mensagens encontradas no celular do suspeito indicam pedidos de submissão por parte de Neto e críticas às finanças da mulher. Além disso, o caso tem ganhado fôlego pela discussão entre dinheiro, deveres conjugais e violência, sempre mantendo os fatos já conhecidos e apurados pelas autoridades.

Testosterona alta e outros detalhes médicos ganharam espaço no depoimento. Neto comentou que a testosterona estava elevada, descrevendo números com tom de justificativa para o comportamento do casal. A investigação, no entanto, aponta que a narrativa pode não se sustentar diante das evidências periciais. Na prática, a versão apresentada pelo militar contrasta com registros de conversas e com o desenrolar do inquérito, que continua em curso.

Entre os elementos de bastidores, surgem relatos de dívidas associadas à vida da família. Neto afirmou que Gisele havia contratado empréstimos consignados para obras no fundo da residência e para financiar procedimentos estéticos ao longo dos anos. Segundo ele, os pagamentos pesavam na renda familiar, mas ele se propôs a arcar com as contas da casa, o que, segundo o depoimento, deixava uma margem mensal de pouco mais de mil reais para as despesas da vítima. Ainda segundo o relato, ele chegou a buscar uma nova função dentro da PM para viabilizar um eventual divórcio, em meio às dificuldades financeiras do casal.

O depoimento também traz detalhes sobre os gastos da esposa com cirurgias plásticas. Neto citou procedimentos como prótese de silicone, rinoplastia, bichectomia e aplicações de botox, estimando um desembolso próximo a R$ 40.000 e empréstimos que teriam sido parcelados em 10 anos. Segundo ele, com descontos de imposto de renda e previdência, sobrava menos de R$ 1.000 por mês para os gastos da vítima.

Antes da prisão, a polícia encontrou mensagens no celular do suspeito em que ele exigia que Gisele mantivesse comportamento “submisso” por conta da posição dele como provedor. Em uma troca entre o casal, a mulher lamenta a suposta falta de respeito e o tom das conversas é revelador do estresse vivido pelo relacionamento. Parte do conteúdo aponta para um abismo entre as expectativas dele e as necessidades dela.

Ainda conforme o depoimento, na véspera do falecimento houve uma conversa sobre a possibilidade de reatar o relacionamento e, segundo Neto, houve relação sexual consensual — algo que ele afirma não ocorrer há meses. Os dois estavam acomodados em quartos separados quando o crime, segundo a investigação, ocorreu. Neto também citou a elevação da testosterona como parte de um quadro que, na visão da defesa, explicaria o comportamento, porém a perícia técnica contesta a viabilidade de alguns aspectos da versão apresentada pela defesa.

Com a prisão preventiva decretada e a denúncia recebida pela Justiça Militar, o caso permanece em aberto, com a perícia em curso e novas informações sendo avaliadas pela polícia civil. No fim das contas, o episódio destaca como conflitos financeiros e tensões conjugais podem convergir para desfechos trágicos, e como a verdade dos fatos depende da convergência entre depoimentos, evidências técnicas e o escrutínio do andamento processual.

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Jornalista

André Santos

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