Brasil apresenta o primeiro caça supersônico fabricado no país

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Brasil apresenta 1º caça supersônico produzido no país

Brasil apresenta o Gripen E, 1º caça supersônico produzido no país, após investimento bilionário e transferência de tecnologia

Foi em Gavião Peixoto, no interior paulista, que nesta quarta-feira Saab e Embraer revelaram o primeiro caça supersônico 100% feito no Brasil: o F-39E Gripen. A aeronave recebeu o batismo oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma cerimônia na unidade da fabricante, marcando um novo marco para um programa que já acompanha o país há mais de uma década.

O momento simboliza a entrada do Brasil em um seleto grupo de nações capazes de produzir aeronaves de alta complexidade. Segundo o governo, trata-se de um avanço inédito na América Latina, apoiado por uma robusta transferência de tecnologia e pela integração industrial entre empresas nacionais e internacionais.

Produção nacional e avanço tecnológico O Gripen brasileiro foi montado ao longo de mais de um ano de trabalho contínuo. Ao todo, 15 das 36 aeronaves adquiridas pelo Brasil serão finalizadas no território nacional. Na Força Aérea Brasileira (FAB), o modelo recebe a designação F-39. Mais do que a simples fabricação de componentes, o programa foca na absorção de conhecimento estratégico, com 60 programas de transferência tecnológica e a capacitação de 350 engenheiros e técnicos brasileiros, muitos deles treinados na Suécia. O processo envolve áreas como integração de sistemas, softwares complexos e tecnologias de guerra eletrônica, centrais para o desenvolvimento de caças modernos.

Impacto econômico e geração de empregos De acordo com a FAB, o programa já gerou mais de 2 mil empregos diretos e cerca de 10 mil indiretos, conectando empresas nacionais à cadeia global do setor de defesa. A iniciativa também busca fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID) e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. O acordo prevê não apenas a aquisição das aeronaves, mas também a qualificação de profissionais e o desenvolvimento de competências locais, ampliando a capacidade industrial do país e abrindo espaço para novos projetos no setor.

Custos, cronograma e desafios Desde 2014, o programa Gripen consomeu R$ 16,75 bilhões em valores atualizados. O contrato, revisado, está em torno de R$ 29,5 bilhões. Até o momento, 11 aeronaves foram entregues, representando 57% do orçamento inicial. O projeto acumula oito anos de atraso em relação ao cronograma original, que previa a entrega total até 2024. A estimativa mais recente aponta que todas as unidades ficarão operacionais apenas em 2032, com custos adicionais ligados a aditivos contratuais e ao desenvolvimento de uma nova geração do caça, incluindo mudanças relevantes frente às versões anteriores.

Declarações destacam soberania e inovação Durante o evento, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que investir em tecnologia é estratégico para o Brasil. “Quem domina tecnologia domina o futuro”, afirmou, elogiando a indústria de defesa como um seguro para a soberania nacional e como ponta de lança do desenvolvimento industrial. O ministro da Defesa, José Múcio, ressaltou o papel do programa para posicionar o Brasil como polo regional, apontando que o acesso a tecnologias de ponta eleva o patamar da indústria nacional. Já o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, classificou o momento como um divisor de águas, afirmando que a entrega do caça representa “a mais importante da história da aviação nacional”.

Capacidades e operação do Gripen O Gripen E pode chegar a velocidade de até Mach 2 e operar em altitudes de até 16 mil metros. A aeronave oferece 10 pontos de armamento e capacidade de carregar até 5,3 toneladas de carga bélica. Um dos diferenciais está na capacidade de fusão de dados, que permite integração com outras plataformas, como o avião-radar Embraer R-99. A aeronave já iniciou atividades na defesa aérea a partir da base de Anápolis (GO), estratégica para o entorno de Brasília.

Além de atender à FAB, a produção em Gavião Peixoto também mira exportações. Existe a possibilidade de um contrato com a Colômbia para ampliar a produção no Brasil, enquanto negociações internas discutem a compra de um segundo lote para ampliar a frota.

Durante a visita, Lula também teve a oportunidade de conhecer o protótipo de eVTOL da Eve Air Mobility, controlada pela Embraer, voltado à mobilidade urbana aérea. Com o avanço do programa, o Gripen deve substituir aeronaves mais antigas da FAB, como os F-5M e os AMX, consolidando a modernização da aviação de caça no Brasil.

Em resumo, o Brasil avança na construção de uma capacidade de defesa própria, combinando inovação tecnológica, geração de empregos e oportunidades de exportação. No fim das contas, o que está em jogo não é apenas uma aeronave, mas a transformação de uma base industrial que pode moldar o futuro de diversas indústrias no país.

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Jornalista

André Santos

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