Tenente-coronel PM preso por morte da esposa; é denunciado por assédio

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Tenente-coronel preso por morte de esposa PM é denunciado por assédio contra outras policiais

Geraldo Neto, réu por feminicídio, também enfrenta denúncia de assédio sexual e histórico de assédio moral na PM

Em meio a uma investigação que já abala as estruturas da Polícia Militar, um tenente-coronel da corporação volta ao centro das manchetes. Geraldo Neto é tido como suspeito de feminicídio da sua esposa, Gisele Alves Santana, morta no início de fevereiro, e, ao mesmo tempo, acumula denúncias de assédio sexual contra outra policial, além de um histórico de acusações de assédio moral envolvendo colegas mulheres, no passado.

Segundo relatos que chegaram ao conhecimento público, a queixa de assédio sexual ganhou contornos em meio a um episódio ocorrido no segundo semestre de 2025, quando Geraldo já estava casado com Gisele. A denúncia, que correu sob sigilo na época, foi divulgada por veículos de referência, revelando que a policial teria sido vítima de tentativas de aproximação indesejada por parte do oficial. Em depoimento, a vítima relatou que o coronel teria tentado beijá-la; ao recusar, ela diz ter sido transferida de batalhão como retaliação. A defesa do caso aponta que esse conjunto de ações era parte de um esquema de intimidação, ainda em investigação pela Corregedoria da PM.

Além da acusação atual, há um capítulo anterior que envolve conduta de Geraldo Neto no comando de outra unidade da PM. Em 2022, ele foi apontado em denúncias de assédio moral envolvendo ao menos quatro policiais mulheres. O registro, segundo as queixas, indicava um padrão de provocações e pressão psicológica. Em meio aos relatos, o próprio acusado negou as acusações, que, até o momento, não resultaram em punição disciplinar. Em contrapartida, uma colega de batalhão acionou o Estado de São Paulo por assédio moral, obtendo uma indenização de R$ 5 mil.

Agora, o caso que envolve a morte de Gisele entra em uma nova etapa. A perícia aponta que o que se apurou não foi apenas um homicídio, mas também uma suposta manipulação da cena do crime. A investigação indica que a arma usada não estaria ao alcance de Gisele, o que sugere inconsistência em algumas versões apresentadas durante o ocorrido. Além disso, a presença de elementos no ambiente — como uma árvore de Natal na sala — teria contribuído para dificultar a leitura do espaço pela polícia na ocasião, de acordo com a versão descrita pelas autoridades.

Para entender a atuação inicial dos primeiros atendentes, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, ressaltou que a agilidade e o compromisso das equipes de chegada ao local foram cruciais para trazer clareza aos fatos. “Eles não se intimidaram pela patente de quem estava no local; transmitiram aos superiores as informações corretas do que viram”, afirmou o titular, destacando a importância da resposta rápida em cenários de alta complexidade.

No dia a dia da segurança pública, casos como esse provocam reflexões sobre a conduta na alta patente e o impacto sobre a confiança da população. Além da violência já comovedora representada pela morte de Gisele, surgem questões sobre o que significa atuar com responsabilidade em posições de comando. Afinal, quais limites se aplicam a oficiais de alta patente quando há denúncias graves envolvendo colegas? E como a Justiça deve lidar com acusações de conduta que vão além do crime em si?

Entre as informações já disponíveis, fica claro que o conjunto de acusações envolve tanto a esfera criminal quanto a administrativa, com investigações em curso para apurar a extensão de cada conduta e responsabilizar aqueles encontrados responsáveis. Enquanto a Justiça analisa as evidências, a sociedade observa, com atenção, como a PM lida com casos de violência, assédio e manejo de cenas de crime envolvendo oficiais em posições de liderança.

Enquanto isso, o desfecho permanece aberto. O que se sabe de concreto é que a investigação envolve a figura de um oficial de alta patente, cuja atuação, em diferentes momentos, gerou controvérsia e colocou sob escrutínio a forma como a instituição responde a denúncias graves. Naturalmente, isso reacende o debate sobre a necessidade de padrões mais rígidos de conduta, transparência nas apurações e proteção às vítimas, seja qual for a idade ou o emprego da pessoa envolvida.

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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