Bolsonaristas celebram prisão domiciliar, pedem anistia ao ex

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Bolsonaristas celebram prisão domiciliar, mas reforçam discurso por anistia do ex-presidente

Parlamentares manifestaram alívio nas redes sociais com a decisão de Alexandre de Moraes. Porém, pressão por anistia deve aumentar.

A notícia de que o ministro Alexandre de Moraes autorizou a prisão domiciliar temporária de Jair Bolsonaro, pelo prazo inicial de 90 dias, mexeu com o clima entre aliados e apoiadores. No entanto, o recado entre os fãs do ex-presidente foi claro: a mobilização pela liberdade e pela anistia não para por aí. Nas redes, mensagens de alívio convivem com cobranças por um desfecho mais amplo.

Boletim médico e informações do dia mostram que Bolsonaro permanece internado no hospital DF Star, em Brasília, desde o dia 13 de março, para tratar uma broncopneumonia. A decisão de Moraes sustenta que a evolução clínica poderia ocorrer independentemente do local de custódia, e indica que uma nova avaliação da saúde será feita ao final do período de 90 dias para decidir se ele retorna ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

Entre os relatos de bastidores, o ex-vereador Carlos Bolsonaro, que hoje disputa o Senado por Santa Catarina, externou extremo alívio com a decisão que beneficiou o pai, ao mesmo tempo em que ressaltou que o gesto não pode ser encarado como justiça plena. “Para que exista justiça de verdade, nenhuma condenação pode ser normalizada”, disse em tom veemente nas redes.

Quem também comemorou foi o Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente, que elogiou a atuação do irmão, Flávio Bolsonaro, pela mediação que ajudou a que o pedido fosse aceito. Em publicação no X, ele destacou que os próximos 90 dias devem ser usados para tratar a pneumonia, mas prometeu empenho para a continuidade da permanência dele em casa.

Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou as redes para agradecer a Deus pela notícia. Em publicação no Instagram, mostrou fotos do marido durante o período em que esteve internado, enfatizando fé, família e esperança para o futuro. No tom de quem celebra pequenas vitórias, Michelle também lembrou que há muitas pessoas que aguardam por justiça.

Entre as vozes políticas, o deputado Nikolas Ferreira classificou a decisão como “um respiro para a liberdade”, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou estar feliz por Bolsonaro poder manter cuidados próximos da família. A linha comum, segundo eles, é a de garantir um tratamento humano adequado durante a recuperação.

Mas, mesmo com o tom de celebração, as lideranças associadas ao ex-presidente reforçam que a medida é apenas o começo de uma cobrança pela anistia ampla. A senadora Damares Alves avaliou que o retorno para casa é alentador, mas deixou claro que, na avaliação dela, “esse é apenas o primeiro passo” para uma anistia geral. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, criticou a prisão domiciliar como símbolo de liberdade, prometendo seguir lutando pela libertação de Bolsonaro.

Ainda no cipoal de posicionamentos, parlamentares próximos cobraram Moraes pela viabilidade do benefício, lembrando que, sob aquele estado de saúde, a acusação não deveria ter seguido para condenação. Ou seja, não faltaram vozes pedindo uma visão mais ampla do caso e da viabilidade de um desfecho que vá além da prisionalização temporária.

Ao analisar a decisão, Moraes frisa que o quadro de saúde do Bolsonaro recebe acompanhamento médico adequado dentro da Papudinha. Em tom técnico, o ministro aponta que a broncopneumonia não estaria atrelada estritamente à condição de custódia, e que o tratamento não seria necessariamente mais ágil em regime de prisão domiciliar. Ainda assim, ao reconhecer os riscos e o histórico clínico do ex-presidente, o texto autoriza uma reavaliação após os 90 dias para decidir sobre o retorno à unidade prisional.

A decisão traz ainda um conjunto de regras para a privação de liberdade em casa: está proibida qualquer forma de acampamento ou aglomeração em um raio de um quilômetro do endereço do ex-presidente; Bolsonaro deverá manter a tornozeleira eletrônica enquanto estiver em casa e fica proibido o uso de celular ou de outros meios de comunicação externos sem autorização. As visitas, por sua vez, passam por vistoria prévia; aparelhos eletrônicos devem ficar com os agentes de segurança; e a possibilidade de visitas fica restrita aos filhos e advogados, nos horários permitidos anteriormente, com sessões médicas e de fisioterapia mantidas.

Além disso, Moraes manteve a exigência de que todos os veículos sejam vistoriados ao deixarem a residência, e decidiu pela suspensão de visitas previamente autorizadas, já que Bolsonaro estará em recuperação. A decisão ainda aguarda a apreciação da Primeira Turma do STF, composta por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, que irá confirmar ou revogar a prisão domiciliar.

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Jornalista

André Santos

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