Relato de Giuffre expõe abusos e esquema sexual ligado a Epstein

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Livre de Virginia Giuffre, a “Garota de ninguém” expõe abusos e esquema ligado a Epstein

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Um novo título chega às leituras de quem acompanha casos de abuso de poder e crimes institucionais. O livro “Garota de Ninguém”, lançado no Brasil pela editora Objetiva, reúne o relato de Virginia Roberts Giuffre sobre o período em que, segundo ela, foi explorada sexualmente por Jeffrey Epstein. A obra saiu após a morte da autora, ocorrida em 2025, aos 41 anos, na Austrália, em circunstâncias que geraram debate público e novas perguntas sobre as redes de influência que a cercavam.

No conjunto do livro, Giuffre descreve episódios vividos ainda na adolescência, quando trabalhava em um resort frequentado por empresários e políticos nos Estados Unidos. O texto aponta que, aos 16 anos, ela conheceu Ghislaine Maxwell no Mar-a-Lago, propriedade de Donald Trump, e que Maxwell, ao que tudo indica, ofereceu-lhe um trabalho como massoterapeuta, encaminhando-a para a casa de Epstein, onde ocorreu o primeiro encontro com o financista. A partir desse momento, segundo o relato, ela passou a sofrer abusos e a integrar um esquema de exploração sexual organizado.

O relato descreve uma sequência de imposições: foi obrigada a manter relações com Epstein logo após o primeiro contato e, na sequência, enviada a encontros com homens indicados por ele. Os deslocamentos eram organizados por Epstein e Maxwell, e Giuffre afirma que não tinha autonomia para recusar viagens, compromissos ou convites que chegavam a ela como parte de um calendário invisível de encontros.

Entre os trechos mais impactantes, o livro registra que Epstein tentava justificar seus atos com argumentos que chamava de “científicos”. Segundo Giuffre, o financista dizia que manter relações com garotas que já haviam iniciado a puberdade não deveria ser considerado inadequado e citava diferenças nas leis de idade de consentimento para sustentar esse raciocínio. O relato também aponta que ela foi levada a propriedades privadas e a viagens internacionais com o objetivo de atender a empresários, políticos e outras figuras influentes.

Um ponto que reaparece ao longo das páginas é o reconhecimento tardio das identidades das pessoas envolvidas. Giuffre diz que, em muitos casos, só descobriu quem eram esses homens anos depois, ao ver fotos ou reportagens sobre o círculo que orbitava Epstein. Entre os nomes citados no livro aparecem o príncipe Andrew, do Reino Unido, e o agente francês Jean-Luc Brunel, ligado ao recrutamento de modelos. O conjunto das informações ajudou a impulsionar investigações que resultaram na prisão de Epstein e Maxwell.

O livro também aborda a relação de Epstein com cientistas, universidades e setores de pesquisa. Conforme o relato, o financista financiava pesquisas e organizava encontros com pesquisadores conhecidos, havendo ocasiões em que Giuffre foi obrigada a atender convidados ligados a esses grupos. Ao longo da leitura, fica evidente a lógica de poder e de controle que, segundo a narrativa, permeava as ações de Epstein e seus parceiros.

No desfecho do livro, Giuffre afirma que havia câmeras instaladas nas propriedades associadas a Epstein e que os encontros eram gravados. Conta ainda que existia uma sala dedicada ao monitoramento e ao arquivamento dessas imagens, numa prática descrita como forma de pressionar visitantes ou obter favores. A obra, portanto, além de relatos de violência, aponta para mecanismos de intimidação que ultrapassam o abuso individual e vão para o terreno do uso de material potencialmente explosivo para manter influência e silêncio.

Em meio a esses capítulos, o relato de Giuffre provoca reflexões sobre como pessoas em posições de poder utilizam redes de relacionamento para manter operações que envolvem vulneráveis. O caso Epstein-Maxwell, destacado pela obra, permanece como referência para debates sobre justiça, responsabilização e transparência no manejo de fortunas, prestígio e contatos internacionais. Mas o que isso muda na prática para a vida cotidiana das pessoas comuns, diante de relatos tão contundentes?

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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