Lula critica Conselho da ONU ao citar mais conflitos desde a 2ª Guerra

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Lula critica Conselho da ONU ao falar em ‘maior número de conflitos’ desde 2ª Guerra

O presidente sinaliza preocupação com os conflitos globais durante a abertura da Celac-Afro, na Colômbia

Em tom envolvente e com uma leitura fluida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu os trabalhos do fórum Celac-Africa, realizado na Colômbia, para falar sobre o cenário mundial. Estamos vivendo a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial, afirmou, destacando que a instabilidade não escolhe fronteiras e afeta diretamente a vida de milhões de pessoas pelo planeta. Além disso, ele ressaltou a urgência de olhar para as causas profundas por trás dessas crises, não apenas para reagir aos estilhaços que chegam aos nossos lares.

Na prática, Lula completou o diagnóstico com números que pesam na cabeça e no bolso de quem acompanha a realidade mundial: US$ 2,7 trilhões foram gastos em armas e guerras no último ciclo, enquanto 630 milhões de pessoas ainda passam fome. Nesse contraste, ele lembrou que a gestão da paz está longe de ser uma prioridade garantida, o que torna o atual momento ainda mais crítico para a América Latina e para o mundo.

O que o presidente aponta como entrave central é a própria Orquestra das Nações Unidas. “O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, mas, na prática, são eles que estão promovendo guerras”, criticou Lula. O recado foi claro: até quando vamos tolerar que os mais poderosos se considerem donos dos mais frágeis?

No tom de quem observa de perto as atitudes internacionais, ele citou ações recentes dos Estados Unidos como exemplos de estratégias que, para o brasileiro, não ajudam a criar um mundo mais justo. Entre referências, ele mencionou os ataques ao Irã, a improvável detenção do ex-presidente Nicolás Maduro e o aumento das sanções a Cuba, apontando esse conjunto de medidas como demonstração de uma política externa que não favorece a cooperação nem a resolução pacífica de conflitos.

Em seguida, o tema ganhou uma dimensão econômica e estratégica: quem governa o jogo dos minerais é a região. Lula destacou a importância das terras raras e dos minerais críticos na América Latina, que não devem ficar à mercê de interesses externos. “Eles querem ser donos dos minerais críticos e das terras raras que nós temos. É a chance da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles”, afirmou, reforçando o convite para que haja instalação e produção locais que promovam desenvolvimento e autonomia.

No fim das contas, o líder brasileiro ressaltou que o caminho não é fechar-se, mas construir pontes que permitam ritmo novo de cooperação. Quem quiser investir, que seja com compromisso com o desenvolvimento regional, foi o recado, com a sensação de que mudanças estruturais passam pela participação coletiva e por um eixo mais equilibrado entre poder, responsabilidade e oportunidade.

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Jornalista

Fernanda Costa

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