Deputada que fez ‘blackface’ na Alesp se declarou parda à Justiça Eleitoral; Erika Hilton pede investigação
Fabiana Bolsonaro assumiu autodeclaração como parda ao se registrar para 2022; a ação de Erika Hilton envolve possíveis irregularidades e acusações de racismo no cenário político
Na última quarta-feira, o plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo foi palco de um momento que mexeu com o debate sobre raça e representação. A Fabiana Bolsonaro (PL) vestiu a pele marrom para uma crítica direta à deputada federal Erika Hilton, que havia sido escolhida para liderar a Comissão da Mulher na Câmara. Em meio à encenação, Fabiana afirmou que, ao se apresentar, está revelando privilégios de uma mulher branca que, ao longo da vida, teve acesso a vantagens associadas a esse grupo.
Logo após a cena, Hilton acionou o Ministério Público Eleitoral e solicitou a instauração de um inquérito, alegando que a autodeclaração de Fabiana pode ter sido feita de forma indevida. O cerne da denúncia envolve o que se entende por falsidade ideológica eleitoral, já que a forma como a candidata se identifica tem potencial impacto no financiamento de campanhas, incluindo o Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
Além de Hilton, outras parlamentares também buscaram apurar o caso com o Conselho de Ética da Alesp e até a polícia, para investigar se houve conduta racista durante o ato. A hipótese é denunciar uma prática que envolve discriminação e que, em tese, poderia trazer consequências legais, variando de reprovação interna a pena prevista pela legislação, que pode variar entre dois e cinco anos de reclusão.
No olho público, o episódio reacende um debate importante sobre raça, identidade e as responsabilidades de quem ocupa espaço político. A prática de recorrer a símbolos e representações como forma de crítica levanta questões sobre como os representantes lidam com questões étnico-raciais no dia a dia da política, e o que isso de fato significa para a cidadania e para a distribuição de recursos na prática eleitoral.
Não obstante, no cenário político, a história faz lembrar que a discussão sobre autodeclaração racial vai além da estética da atuação: ela toca em temas sensíveis, como reconhecimento, privilégios históricos e mecanismos de controle institucional que podem moldar o comportamento dos representantes e as políticas que eles defendem.