Brasil entra no top 3 dos países mais atacados por ransomware
Brasil é o 3º país mais atacado por ransomware no mundo, segundo a Acronis. Entenda os dados e os riscos para empresas brasileiras
O cenário de cibersegurança ganhou contornos ainda mais preocupantes em 2025: o Brasil passou a figurar entre os três alvos mais visados por ransomware, conforme o Acronis Cyberthreats Report – H2 2025, estudo que analisa o segundo semestre do ano passado. No dia a dia, isso significa que o problema deixa de ser episódico e já afeta organizações de diferentes portes e setores, com impactos diretos na reputação, na confiança dos clientes e na continuidade das operações.
Para Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC, empresa especializada em cibersegurança e compliance, os números sinalizam uma mudança de patamar. “Quando um país passa a aparecer entre os principais alvos globais, o mercado entende que o problema não está restrito a casos isolados.” Ainda assim, a prática mostra que a ameaça está cada vez mais integrada ao dia a dia empresarial.
O estudo detalha a evolução das táticas utilizadas pelos criminosos. Os ataques por e-mail cresceram 16% por organização e 20% por usuário no segundo semestre de 2025, com o phishing respondendo por 83% das ameaças detectadas nesse canal. Além disso, houve uma escalada nos ataques voltados a plataformas de colaboração, que subiram de 12% em 2024 para 31% em 2025, indicando como os criminosos exploram novos vetores de acesso aos ambientes corporativos.
Outro ponto de preocupação: o uso de inteligência artificial e automação pelos próprios atacantes. Atualmente, 80% dos operadores de ransomware como serviço já incorporam IA ou automação, o que amplia tanto a escala quanto a sofisticação das campanhas.
Em termos de custo, o impacto financeiro merece atenção. O Cost of a Data Breach 2025, da IBM Security, aponta que o custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu R$ 7,19 milhões, crescimento de 6,5% frente aos R$ 6,75 milhões de 2024. No ecossistema brasileiro, o phishing lidera como vetor inicial (presente em 18% dos casos), seguido pela exploração de terceiros e da cadeia de suprimentos (15%) e pela exploração de vulnerabilidades (13%).
Dados da Sophos ajudam a entender melhor como as intrusões se materializam por aqui. No Brasil, 44% dos incidentes de ransomware tiveram a exploração de vulnerabilidades como causa técnica primária; 20% começaram com credenciais comprometidas e 18% partiram de e-mails maliciosos. Em 54% dos casos houve criptografia de dados. O pagamento mediano de resgate ficou em US$ 400 mil, e o custo médio de recuperação alcançou US$ 1,19 milhão.
Mesmo que a retomada seja relativamente rápida, os efeitos não se dissipam de imediato. O levantamento aponta que 55% das organizações brasileiras afetadas conseguiram restabelecer operações em até uma semana, mas o processo envolve interrupção de serviços, investigação técnica, comunicação com clientes e reforço de controles internos. Além disso, a dependência de fornecedores e parceiros digitais amplifica o risco: o Data Breach Investigations Report 2025, da Verizon, revela que 30% das violações envolveram terceiros, o que representa o dobro do observado no ano anterior. Outras tendências apontadas: exploração de vulnerabilidades cresceu 34%, 60% das violações tiveram o fator humano no centro do incidente e o ransomware esteve presente em 44% dos casos analisados.
Mas o que isso muda na prática para empresas e consumidores? A leitura é clara: proteger vai muito além da tecnologia. Como aponta Luiz Claudio, a segurança precisa ser pensada de forma integrada, combinando medidas técnicas com governança, treinamento de equipes e visibilidade contínua do ambiente digital. Quando vulnerabilidades são identificadas antes de serem exploradas e as pessoas conseguem reconhecer ameaças, as chances de uma crise operacional ficam muito menores.
Nesse contexto, cresce a adoção de iniciativas voltadas à resiliência digital. Entre elas estão testes de intrusão, programas de conscientização, revisão de políticas de segurança, monitoramento de ameaças e auditorias de controles. O objetivo comum é reduzir as superfícies de exposição e aumentar a capacidade de resposta das organizações antes que um ataque se concretize.
- Proteção integrada: prevenção técnica, governança e treinamento de colaboradores
- Visibilidade contínua do ambiente digital para detectar vulnerabilidades
- Treinamento frequente para reconhecer phishing e golpes comuns
- Testes regulares de intrusão e monitoramento de ameaças
- Auditoria de controles para fortalecer a resiliência operacional