Brasil doa a Cuba mais de 20 mil toneladas de alimentos em meio a crise e cerco de Trump
Governo Lula já havia enviado remédios para a ilha, que enfrenta queda de energia agravada por tensões com Washington
Em meio a uma crise econômica que se arrasta pela ilha caribenha e a uma pressão externa cada vez mais presente, o governo brasileiro anunciou uma ajuda humanitária de proporções expressivas para Cuba. O anúncio, feito pelo Ministério das Relações Exteriores, aponta que não é apenas uma gesto simbólico: a meta é abastecer Cuba com uma soma superior a 20,8 mil toneladas de alimentos, distribuídas por meio do programa da ONU para alimentação.
Entre os itens previstos estão:
- 20.000 toneladas de arroz com casca;
- 150 toneladas de feijão preto;
- 150 toneladas de arroz polido;
- 500 toneladas de leite em pó.
No total, a operação soma 20,8 mil toneladas de alimento que devem chegar a Havana com o apoio de um navio cubano, segundo a logística anunciada pelo Itamaraty. Para viabilizar o transporte, o governo brasileiro aguarda a chegada dessa embarcação específica.
Além disso, a nota das autoridades aponta que, há quinze dias, já haviam sido despachadas 2,5 toneladas de medicamentos para Havana, transportadas por via aérea, uma logística considerada menos volumosa e mais simples de entregar.
Na prática, a ajuda chega em meio a uma combinação de esforços nacionais e internacionais. Na última quarta-feira, 18 de março, Cuba recebeu também um comboio humanitário internacional com 5 toneladas de remédios. A iniciativa, chamada de “Comboio Nuestra América”, reuniu parlamentares, lideranças sindicais e entidades estudantis, num esforço multiforme de apoio à ilha.
Essa frente de ajuda se insere em um panorama de crise econômica acentuada, sobretudo pela interrupção das importações de petróleo, que os EUA implementaram no início deste ano. Parte da população encara apagões e a interrupção de serviços básicos, com impactos que chamam a atenção da comunidade internacional.
As Nações Unidas vêm mantendo negociações com o governo dos EUA para permitir a entrada de combustível com fins humanitários. Enquanto isso, do lado americano, as falas sobre Cuba não passam em branco: o líder republicano Donald Trump sugeriu mudanças no regime cubano, ao passo em que o governo cubano, sob a liderança de Miguel Díaz-Canel, afirma que qualquer tentativa de tomada da ilha encontraria resistência.
O presidente cubano, de fato, reiterou que o governo abriu diálogo com representantes dos Estados Unidos para tratar de questões bilaterais, buscando caminhos por meio do diálogo para resolver pendências. Enquanto isso, o Brasil destaca que a ajuda humanitária não é apenas um gesto de solidariedade, mas uma mensagem de parceria em meio a um cenário de tensão internacional.
No fim das contas, o que fica para o leitor comum é a sensação de que, mesmo com ruídos geopolíticos, a colaboração humanitária pode chegar onde as necessidades são maiores. E a pergunta que fica é: como esse apoio pode influenciar a vida das pessoas que enfrentam os impactos diretos da crise em Cuba?