O que levou Fabiana Bolsonaro a pintar-se com tinta preta na Alesp?

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O que fez a deputada Fabiana Bolsonaro (PL-SP) se pintar com tinta preta na Alesp? Entenda

Experimento, polêmica e o peso da representatividade na política paulista

Durante uma sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a deputada Fabiana Bolsonaro subiu à tribuna com o corpo coberto por tinta preta, apresentando a ação como parte de um experimento social para provocar reflexão sobre privilégios. Ao iniciar o discurso, ela afirmou ter os privilégios de uma mulher branca, e, em seguida, lançou a pergunta que acendeu a discussão: “Eu, sendo branca, se aos 32 anos eu resolver me maquiar como uma pessoa negra, eu virei negra?”

No desdobrar da fala, ela ligou a imagem a uma crítica aos desdobramentos políticos recentes, usando o episódio para questionar a ascensão de Erika Hilton à presidência da Comissão da Mulher. “Me entristece, pois estão tirando o espaço”, afirmou, e acrescentou pedidos para que se crie a comunidade da mulher trans. No vídeo, o momento ocorre próximo de 51 minutos de duração, ponto que muitos destacaram nas redes sociais como o ápice da polêmica.

Repercutiu também a forma como a fala fez referência a uma prática histórica conhecida como blackface, associada à ridicularização de pessoas negras e ao apagamento de identidades. A explicação histórica remete ao século XIX, quando atores brancos pintavam o rosto para tratar a população negra como objeto de entretenimento, explorando estereótipos para o humor de plateias brancas. Ao longo do tempo, esse recurso foi reconhecido como uma forma de desumanização, ainda que tenha surgido em palcos e programas de televisão com o passar das décadas.

Entre as respostas públicas, o episódio gerou críticas fortes nas redes. Um registro importante veio de colegas parlamentares e especialistas em direitos, que destacaram a gravidade de associar uma identidade racial a uma provocação estética no parlamento. Em tom de repúdio, o deputado Carlos Giannazi (Psol-SP) afirmou que o ocorrido foi uma afronta brutal à dignidade humana e à própria democracia. Giannazi enfatizou que a prática não pode ser relativizada, sobretudo por abrir espaço para ataques que also atingem a comunidade negra e a população trans.

No fim das contas, o episódio acende o debate sobre os limites da atuação política dentro do plenário: como protestos e declarações devem tratar identidades sensíveis sem enfrentar a dignidade de pessoas e grupos historicamente marginalizados. Para o leitor comum, fica a reflexão sobre até que ponto gestos públicos ajudam ou atrapalham a discussão sobre raça, privilégio e representatividade, e qual é a responsabilidade de quem ocupa o espaço de poder diante dessas questões.

  • Blackface como prática histórica de desumanização e racismo
  • Provocação ligada a privilégios e debates sobre identidade
  • Reação pública e de parlamentares quanto à representatividade
  • A referência a Erika Hilton e a presença de mulheres trans na política
  • Reflexão sobre os limites da expressão no espaço público

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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