Alerta: uso de “contas laranja” dispara 60% no Brasil e desafia bancos
Estudo da Serasa Experian aponta 2,6 milhões de perfis com indícios de fraude em 2025; apenas 3,2% são detectados
O cenário do sistema financeiro brasileiro está sob pressão constante de cibersegurança. Segundo um levantamento recente da Serasa Experian, o país registrou um crescimento de 62% no volume de perfis que atuam como “contas laranja” em apenas dois anos. Em 2025, foram identificados mais de 2,6 milhões de indivíduos ou contas sob suspeita, e os especialistas destacam a invisibilidade desse tipo de fraude: apenas 3,2% dessas situações é efetivamente detectada pelas instituições.
Mas o que é exatamente essa tal conta laranja e por que o tema ganhou peso? No jargão da segurança digital, o CPF usado para camuflar o beneficiário real de golpes pode aparecer de duas formas: sem o conhecimento da vítima, quando dados são vazados e há abertura indevida de contas; ou com consentimento, quando o titular permite ou facilita o uso de seu CPF em troca de pagamento. Com a popularização do Pix, essas contas ganharam papel central: funcionam como uma ponte entre o golpe e o dinheiro, recebendo valores rapidamente e depois pulverizando a quantia, o que dificulta o rastreamento pelas autoridades.
No que os especialistas chamam de “ponto cego” do sistema, a baixo desempenho na detecção vem da sofisticação do comportamento dessas contas. De acordo com Leandro Bartolassi, Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, as contas laranja passam a ter uma aparência de normalidade e criam um degrau entre o golpe e o fraudador final. Além disso, o estudo revela um dado curioso sobre o perfil das vítimas: contas com baixo uso de serviços financeiros são 9 vezes mais arriscadas, já que seus usuários tendem a notar notificações de segurança ou movimentações estranhas com mais atraso, dando espaço para ações fraudulentas.
Para ilustrar a dimensão do desafio em 2025, veja alguns números-chave: 2,6 milhões de perfis com indícios de atuação como “laranja”; 1,2 bilhão de transações via Pix atribuídas a esses perfis (cerca de 2% do total nacional); 62% de crescimento do volume de contas intermediárias desde 2023; e R$ 26 trilhões movimentados pelo Pix em 2024, consolidando o sistema como o principal vetor de repasses. A Serasa Experian cruzou dados como hábitos de consumo, consistência cadastral e vínculos entre CPFs para chegar a esses números. O recado é claro: para frear esse avanço, os bancos precisam investir em monitoramento comportamental contínuo, indo além da checagem de identidade apenas no ato da abertura da conta.
Mas afinal, como saber se existe alguma conta aberta indevidamente em seu nome? A resposta está no Registrato, ferramenta gratuita do Banco Central que lista empréstimos, contas bancárias e outras relações com instituições financeiras. Para quem quer se prevenir, o ideal é conferir a sua situação e ficar de olho em alterações suspeitas. Aqui fica a ideia central: conheça o que está vinculado ao seu CPF e monitore regularmente seus dados financeiros.