Interino da Venezuela troca comando da Defesa e destitui general

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General Vladimir Padrino 08/01/2026 REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

Presidente interina da Venezuela promove mudança no Ministério da Defesa e afasta general com 11 anos de comando

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A presidente interina Delcy Rodríguez confirmou nesta quarta-feira que o general Gustavo González López substituirá Vladimir Padrino López no ministério da Defesa, cargo que Padrino ocupava há mais de 11 anos. A troca chega como a mudança mais expressiva no gabinete de Rodríguez desde que assumiu o poder provisório, sinalizando o rebaixamento de um líder de peso que exercia influência considerável sobre as Forças Armadas.

Na prática, a nomeação de González López representa um movimento estratégico no alto escalão, segundo analistas, refletindo a busca por recalibrar a relação entre o governo e as forças que, historicamente, acompanham o rumo do regime. Mas o que isso muda na rotina das equipes militares e no cotidiano dos venezuelanos? A resposta pode depender de desdobramentos internos que ainda estão por se desenrolar.

González López já havia sido apresentado em janeiro como o novo chefe da guarda presidencial e da Direção Geral de Contrainteligência Militar. Ele acumula sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia por violações de direitos humanos e por casos de corrupção envolvendo figuras de alto escalão. Antes de assumir o ministério, atuou como diretor de inteligência interna e, mais tarde, passou a trabalhar com Rodríguez em áreas estratégicas da PDVSA, a estatal de petróleo que Rodríguez supervisionou anteriormente como ministra de Energia.

Quanto a Padrino López, figura também sancionada pelos EUA em relação a alegações de tráfico de drogas e apoio ao presidente deposto Nicolás Maduro, ele já havia dirigido a seção cerimonial da guarda presidencial durante o governo de Hugo Chávez. Sua popularidade cresceu quando Maduro o elevou a ministro da Defesa no fim de 2014. Com o tempo, surgiram relatos de que a substituição de Padrino era provável, e sua permanência após a captura de Maduro pelos EUA visava manter a estabilidade nas Forças Armadas, que contam com cerca de 2.000 generais comandando diferentes estruturas, além de lidarem com interesses comerciais significativos.

Logo após a divulgação de que o governo buscaria uma mudança no comando, Padrino apareceu na televisão estatal para afirmar que a Venezuela resistiria a intervenções estrangeiras. Entretanto, fontes indicam que ele também colaborou com Rodríguez para cumprir demandas norte-americanas relacionadas a petróleo, mineração e à libertação de algumas pessoas classificadas como prisioneiras políticas.

Apesar da intervenção externa, a ONU ressaltou recentemente que o aparato repressivo venezuelano permanece intacto. O governo venezuelano continua a negar violações de direitos humanos e as acusações de corrupção entre membros das forças se repetem em diferentes ocasiões, mantendo o debate sobre a real influência dos militares no dia a dia do país.

No fim das contas, a rodada de recuos e ajustes na cúpula militar sinaliza uma tentativa de redefinir prioridades no longo prazo, sem necessariamente provocar mudanças rápidas na vida da maioria da população—algo que, às vezes, é mais sentido no dia a dia do cidadão comum do que nos gabinetes de poder.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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