Coreógrafo revela que alertou a equipe sobre peso da fantasia de Virginia: ‘Pedi pra tirar’
Professor de samba afirma que costeiro de mais de 12 kg já causava preocupação nos ensaios e exigiu adaptações na coreografia
Nos bastidores do Carnaval de 2026, o coreógrafo Carlinhos Salgueiro, responsável pela preparação de Virginia Fonseca para estrear como rainha de bateria da Grande Rio, afirma ter avisado a equipe da influenciadora sobre o peso excessivo do figurino antes do desfile na Marquês de Sapucaí. Segundo ele, o problema ficou evidente nos ensaios, especialmente com a inclusão do costeiro equipado com penas de até 1,5 metro e com peso aproximado de 12,5 kg.
Na prática, a reação da então musa da avenida não foi de alegria. “Ela ficou: ‘eu não vou conseguir’. E eu pensando: ‘para quê esse peso todo? Penas de um metro e meio. Para quê isso?'”, recorda Carlinhos. Embora o aderecista tenha defendido o conceito, o trato era claro: manter o costume pesado fazia parte da ideia central.
Para entender melhor o porquê daquela dificuldade, o próprio coreógrafo decidiu vestir o traje. “Quando eu coloquei, achei muito pesada. Fiquei três minutos e já estava morto. E olha que eu sou forte”, relatou. Ele estimou que Virginia precisaria sustentar o costeiro por cerca de 75 minutos, considerando o tempo de permanência na avenida. “Tem a emoção, mas não existe emoção quando a gente está sentindo dor”, acrescentou.
Diante dos obstáculos, Carlinhos afirmou ter sugerido alterações no figurino para torná-lo mais viável. “Pedi para tirar. Avisei para ele. E ele dizia: ‘não, é o conceito'”, contou, referindo-se ao aderecista responsável pela peça. O profissional, segundo o coreógrafo, manteve a proposta original, e a posição firme acabou afastando-se do que ele poderia controlar. “O conceito maior era do aderecista. Ele estava irredutível. Eu não posso me meter no trabalho alheio, mas alertei”, disse.
O peso do costeiro também impactou a coreografia planejada. Carlinhos explicou que os movimentos precisaram ser ajustados para reduzir o esforço físico da artista. “Tudo o que a gente fazia não dava jeito. Isso prejudica os movimentos dela”, afirmou. Além disso, o veterano professor ressaltou que fantasias com esse tipo de estrutura não são comuns nos dias de hoje. “Ninguém usa mais essa pena. É uma pena grande e não é móvel”, observou. Virginia, segundo o relato, não tinha experiência prévia com fantasias desse porte.
No dia a dia dos ensaios, os ajustes técnicos e o reforço físico continuaram. O personal trainer de Virginia intensificou os treinos para fortalecer ombros e panturrilhas, e Carlinhos já havia pedido que o costeiro fosse utilizado para prática. “Não sei se a escola estava ciente [da fantasia]. Mas alertei sobre o peso”, contou, deixando escapar a expectativa de que a comunicação entre setores fosse mais atenta.
Durante o desfile, a influenciadora enfrentou dificuldades e optou por retirar o costeiro na segunda passagem da bateria, encerrando a apresentação sem parte do figurino. Para Carlinhos, a situação poderia ter sido evitada com maior atenção aos alertas técnicos. “Desfilo há 30 anos. Fiquei atento a tudo. Se ele [o aderecista] tivesse ouvido…”, concluiu.
A repercussão do assunto ganhou espaço nas redes, com reflexões e comentários sobre os riscos de fantasias pesadas e da importância de respeitar os limites técnicos durante as apresentações.