Indiciados na CPMI do INSS? O que vem a seguir para Lulinha

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Na lista de indiciados? Os próximos passos para Lulinha na CPMI do INSS

Vice-presidente da comissão admite blindagens cruzadas, critica ativismo judicial e deixa em aberto eventual indiciamento do filho de Lula

No que promete ser a reta final da CPMI do INSS, o debate sobre o desvio bilionário que atingiu aposentados volta ao centro do palco político. Segundo dados da própria comissão, cerca de 5 milhões de segurados foram impactados por um rombo estimado em R$ 6,3 bilhões. Nesse cenário, o vice-presidente Duarte Jr. abre espaço para compreender as dificuldades institucionais que dificultam a convocação de figuras de grande influência, incluindo o dono do Banco Master e o controverso personagem conhecido como Lulinha, mesmo diante de documentos que apontam ligações suspeitas. O desfecho, segundo ele, depende do que for realmente comprovado pelas apurações.

A provocação se dá em meio a entrevistas em que Duarte Jr. reconhece a existência de elementos que indicam irregularidades, ao mesmo tempo em que sinaliza entraves internos que emperram a sua tramitação. “Documentos que comprovam uma série de ilegalidades” existem, afirma, mas os obstáculos para levar esses nomes a público permanecem, dificultando a conclusão de convocações consideradas sensíveis no tabuleiro político. Na prática, a CPMI encara não apenas a tarefa de investigar, mas também as pressões que cercam quem deve ser chamado para justificar vínculos e decisões envolvendo o universo de aposentadorias e pensões.

No debate sobre se a CPMI realmente blindou figuras centrais, Duarte comentou que houve uma leitura de amadurecimento entre os membros. Segundo ele, há uma percepção de que existem “grupos da esquerda que tentam esconder erros de governos da esquerda e grupos da direita que tentam esconder erros da direita”. Na visão dele, esse panorama atravessou diferentes administrações — Michel Temer, Jair Bolsonaro e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva — e acabou por frear tentativas de convocar o filho do presidente, conhecido como Lulinha, assim como possíveis quebras de sigilo envolvendo pessoas ligadas a ele. O deputado aponta ainda para documentos que indicam uma relação suspeita entre Lulinha e Antonio Antunes, preso no curso da investigação, incluindo uma viagem juntos a Portugal.

Mas e o indiciamento de Lulinha? A resposta não vem de forma direta. Perguntado se a pessoa em foco pode constar na lista de indiciados, Duarte Jr. disse apenas que não há decisão para compartilhar naquele momento. “Há um acordo entre mim, o presidente e o relator de não compartilhar essas informações agora”, disse. Ainda assim, ele deixou claro: “Aqueles contra os quais existem documentos que comprovam rastro de corrupção, seja com vantagem direta ou indireta, haverá indiciamento.” Em outras palavras, a porta não está fechada, mas o caminho segue dependente do conteúdo das evidências e da deliberação entre os membros da CPMI.

Entre os desdobramentos já conhecidos, Duarte Jr. destacou que a maior parte das recuperações já ocorreu. Segundo ele, mais de 3 bilhões de reais já retornaram aos cofres públicos, e o conjunto de investigados já soma dezenas de detidos, incluindo nomes de alto escalão. Ainda assim, a avaliação é que o desfecho possa soar pouco grandioso, com a pressão por parte de membros do Congresso para encerrar o tema antes do período eleitoral. No que tange ao ritmo das apurações, a Polícia Federal mantém o ritmo próprio, inclusive em frentes ligadas ao Banco Master, cuja estimativa de prejuízo extrapola 50 bilhões de reais.

Para quem acompanha o tema, fica a sensação de que a CPMI pode ter perdido parte da força política que lhe dava fôlego. Segundo o colunista Robson Bonin, o sentimento dominante é de que o assunto precisa “acabar logo” — e que, em meio a pressões de ambos os lados do espectro político, o relatório final pode sair com eficácia política relativamente baixa, mesmo diante da dimensão do prejuízo social. No fim das contas, a investigação que começou com indignação pública e promessas de responsabilização amplas atravessa a reta final sob a dúvida de alcançar todos os elos da cadeia — inclusive aqueles mais próximos ao poder.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o v&edil;o acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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