Dir. anti-terrorismo dos EUA demite-se e aconselha Trump a frear o Irã

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Diretor de combate ao terrorismo no governo dos EUA se demite e aconselha Trump a ‘reverter o curso’ da guerra no Irã

O chefe do Centro Nacional de Contraterrorismo afirma que Trump iniciou a guerra sob pressão externa e não por uma ameaça iminente

Em uma movimentação sem precedentes, a principal autoridade do governo dos EUA para assuntos de contraterrorismo pediu demissão e, em carta publicada na rede social X, sugeriu a reverter o curso da operação no Irã. Segundo o documento, o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Joe Kent, sustentou que o Irã não representava ameaça iminente aos Estados Unidos e que a decisão de entrar no confronto decorreu de pressões de Israel e de seu poderoso lobby americano.

Kent, de 45 anos, traz no currículo uma passagem marcante pela CIA e pelas forças especiais. Com a esposa, Shannon Kent — técnica em criptologia da marinha morta em 2019 na Síria —, ele construiu uma trajetória voltada ao serviço público. O anúncio da demissão reverbera ainda mais no debate público, justamente no momento em que a Casa Branca tenta defender a estratégia adotada no Oriente Médio.

Na avaliação da Casa Branca, Trump possuía evidências convincentes de que o Irã iria atacar os EUA em primeiro lugar. Em entrevista ao The New York Times, autoridade da imprensa e aliados próximos do presidente marcaram o tom favorável à linha de que a decisão foi tomada com base em informações de segurança. Ainda assim, a demissão de Kent o coloca como a figura de mais alto escalão a criticar publicamente a condução da operação, envolvendo EUA e aliados no Irã.

O teor da carta envia uma mensagem contundente: a “câmara de eco” que, segundo ele, influenciou a decisão de Trump a agir contra o Irã perpetuou informações enganosas, resultando em decisões que comprometeram a agenda de “América em Primeiro Lugar”. Kent descreveu a influência de autoridades israelenses e de jornalistas norte-americanos como moldando o cenário de forma prejudicial ao país.

Kent, cuja carreira inclui várias missões internacionais com as Forças Armadas e, depois, uma passagem pela CIA, já tinha sido alvo de críticas de democratas por seus laços com grupos considerados extremistas, incluindo elementos do Proud Boys. A confirmação no cargo ocorreu com uma margem estreita, e, durante a sabatina, ele se recusou a afastar afirmações de que agentes federais teriam fomentado a violência no Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Em termos de estrutura, ele reportava-se diretamente à diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, e chefiava a análise de ameaças em todo o globo.

Antes de ingressar no serviço público, Kent foi destacado em múltiplas missões no exterior, incluindo operações com as forças especiais americanas no Iraque. Em sua carta, ele enfatizou que não poderia suportar ver a próxima geração enviada para uma guerra que, em sua visão, não traria benefícios ao povo norte-americano nem justificaria o sacrifício de vidas. A resposta da Casa Branca, por meio de sua secretaria de imprensa, manteve o tom de que o presidente tinha acesso a informações fortes sobre a ameaça iraniana, discordando de qualquer leitura contrária.

O episódio se soma a uma onda de demissões em altas esferas do governo atual, ainda que o segundo mandato de Trump apresente menos rotatividade do que sua primeira passagem pela Casa Branca. E, no meio desse movimento, Kent surge como uma voz crítica que acende o debate sobre a legitimidade das decisões estratégicas adotadas no Irã e sobre quem realmente molda o rumo da política externa.

  • Quem é Joe Kent: veterano da CIA e das forças especiais, ex-candidato a cargo legislativo, dirigente do Centro Nacional de Contraterrorismo.
  • O que ele afirma: o Irã não era ameaça iminente; a guerra foi iniciada sob pressão externa e desinformação.
  • A resposta oficial: a Casa Branca sustenta a consistência de ter tido evidências de risco iminente.
  • Contexto político: a demissão de Kent amplia o racha entre apoiadores de linha dura e críticos das estratégias no Oriente Médio.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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