Trump diz que terá a honra de tomar Cuba para fazer o que quiser
Declarações do presidente americano coincidem com um apagão na ilha e com negociações para soluções por meio do diálogo, coincidindo ainda com o bloqueio de petróleo que afeta o abastecimento cubano.
Em entrevista na Casa Branca nesta segunda-feira (16/3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que vislumbra a possibilidade de tomar Cuba e agir livremente com o país, respondendo a perguntas de jornalistas. Na conversa, ele deu sinais de que o momento poderia exigir decisões de peso para a ilha caribenha.
Segundo o mandatário, a ideia seria, em essência, libertar as condições de Cuba ou tomar o controle, reforçando que a nação cubana aparece como fragilizada no cenário atual. Além disso, ele sugeriu que poderia impor o que considerar necessário, abrindo caminho para uma leitura bem mais agressiva da relação entre os dois países.
No dia em que proferiu esse tom, Cuba enfrentava um apagão total que atingiu milhões de residências, e o contexto envolve negociações entre Havana e Washington para buscar caminhos por meio do diálogo para diluir as diferenças bilaterais, conforme admitiu o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, em um pronunciamento público recente.
Nos últimos meses, os EUA têm restringido o envio de petróleo à ilha — combustível essencial para a geração de energia — em uma ofensiva que muitos veem como tentativa de pressionar mudanças no governo cubano. Em janeiro, Washington assinou uma ordem executiva que prevê tarifas para os países que fornecem petróleo à ilha, elevando a pressão sobre o abastecimento.
A Venezuela, parceira histórica de Cuba no fornecimento de petróleo bruto, interrompeu o envio do combustível após ações que envolvem autoridades americanas, incluindo a captura do presidente Nicolás Maduro em Caracas. Com a mudança, a vice-presidente Delcy Rodríguez passou a ocupar o posto interinamente, agravando o cenário energético cubano.
Em pronunciamento divulgado na última sexta-feira, Díaz-Canel afirmou que Cuba está há três meses sem receber petróleo por causa do que chamou de bloqueio, enquanto críticos lembram que a rede elétrica já pedia reformas há anos, com manutenção insuficiente e apagões recorrentes no dia a dia da população.
Na prática, a interrupção no fornecimento de energia tem sido uma marca forte, e, nesta segunda-feira, a UNE — a concessionária de energia cubana — comunicou que trabalha na recuperação gradual da eletricidade em diferentes províncias, diante de uma crise que se estende há bastante tempo. Além disso, o desabastecimento de combustível alimenta descontentamentos e alimenta a circulação de relatos sobre a vida cotidiana em meio a quedas de energia frequentes.
O país, com cerca de 10 milhões de habitantes, tem visto protestos raros, porém significativos, quando as condições de vida pioram. No Morón, na região norte, houve invasão de um prédio do Partido Comunista por manifestantes insatisfeitos com os preços altos dos alimentos e com os cortes de energia. Um morador de Havana contou à Reuters que a população não se surpreende mais com os apagões, afirmando que é comum ouvir que a vida já se acostumou a essa realidade.