Muito além de magos e guerreiros: o sistema de classes de Frieren e a Jornada para o Além que a maioria dos fãs ainda não entendeu
Se você acha que são apenas Mago e Guerreiro, há muito mais por trás dessa leitura que mistura fantasia e RPG
Neste universo de Frieren e a Jornada para o Além, a obra mergulha de cabeça no espírito dos RPGs clássicos. Claro, o ritmo e o traço são próprios, mas o que se vê com frequência é a incorporação de arquétipos de classes que lembram os sistemas de mesa. Ao longo da saga, os personagens assumem funções bem definidas dentro do grupo, e esses papéis ajudam a entender como cada um contribui para o conjunto. A curiosidade vai além das aparências: as referências às classes aparecem de forma clara, valendo como ponto de partida para debates entre fãs e leitores.
Classes físicas entram na cena com destaque. Herói (ou Cavaleiro) surge como o arquétipo dos Cavaleiros, muito próximo dos Fighters de D&D. Combatem corpo a corpo com espadas, confiando na combinação de força e agilidade, e, em alguns casos, recorrem à magia como apoio — pense no Herói do Sul, uma espécie de Cavaleiro Místico, ou no conceito de Eldritch Knight. Contudo, ao contrário de quem apenas sustenta a linha de frente, esses soldados costumam ser atacantes natos, não apenas uma vanguarda resistente. Na prática, o que vemos são diferentes representantes da nobreza do combate, com espadas diversas e, às vezes, escudos que reforçam a defesa. Exemplos na trama: Himmel e o próprio Herói do Sul coexistem como figuras que personificam esse caminho.
Logo em seguida vem o Guerreiro, muito próximo do arquétipo dos bárbaros — força bruta, armas pesadas e uma resistência que surpreende até mesmo demônios. No dia a dia, esses guerreiros ocupam a função de tank na linha de frente, lidando com magias inimigas e bestas grandiosas sem baixar o ritmo. Ainda que possam receber variações — com diferentes tipos de armas ou mesmo com traços de herói, cavaleiro ou outra classe —, a essência é a mesma: uma presença física sólida que sustenta o time. Entre os exemplos no enredo estão Stark, Elsen e Voll.
Outra figura que aparece com menor frequência, mas já deixa evidente o potencial, é o Monge. A classe se revela como domínio de artes marciais e de combates desarmados, com possibilidade de se especializar em armas diversas. Até aqui, o único personagem apresentado é Kraft, um elfo adulto que desperta curiosidade sobre sua origem e seu papel como um possível herói esquecido de outra era. A prática mostra que o monge pode transcender o que esperamos de uma luta sem armas, abrindo espaço para estilos menos convencionais no enfrentamento.
Classes mágicas formam o verdadeiro motor da construção de Frieren. O Mago está no centro do mundo, dedicado ao estudo da magia com domínio sobre diversas áreas. Seu poder nasce do conhecimento, da prática e da estratégia: muitas magias funcionam melhor em determinadas situações, e o sistema mágico funciona quase como uma partida de pedra, papel e tesoura, onde certas destrezas rendem vantagem sobre outras. Personagens relevantes que encarnam esse caminho aparecem com frequência: Frieren, Fern, Serie, Denken, além de muitos outros que compõem o histórico de magos que vemos no dia a dia da narrativa.
Outro pilar é o Clérigo, o curandeiro por excelência e o verdadeiro suporte do grupo. A magia deles surge de uma escritura sagrada e, dentro deste universo, depende de uma bênção da Deusa para funcionar com maior expressão — embora haja exceções em que a magia é usada de forma mais fraca sem a bênção. Os clérigos combinam cura e utilidade com um arsenal de poderes que pode parecer menos destrutivo, mas que, em conjunto, faz a diferença. Exemplos de clérigos que compõem a trama são Sein e Helter, com a figura do Clérigo Defeituoso Heiter surgindo para mostrar como a fé pode manter pessoas vivas sob condições extremas.
Já o Feiticeiro é uma peça que ainda não foi nomeada explicitamente na obra, mas que recebe fortes indícios de existência. Assim como em D&D, esses magos nasceriam com a magia inata e não dependeriam tanto de estudo formal para manifestar poder, ainda que a prática possa refinar esse dom. Na história, demônios aparecem como detentores de esse tipo de poder inato, o que aponta para uma leitura de que muitos desses seres se encaixariam nesse caminho. Uma curiosidade adicional fica por conta de Übel, uma humana cuja magia parece impregnar-se de copiar outras técnicas sem entender exatamente a sua base — uma forma elegante de ilustrar a ideia de uma feiticeira nata. Sua natureza demonstra uma diferença marcante entre magia inata e magia estudada.
Multiclasse é uma ideia que a obra só não usa o rótulo explícito, mas que funciona de fato na prática. Observa-se que alguns personagens transitam entre funções que não cabem em uma única etiqueta. O Herói do Sul ilustra bem essa fronteira, pois une habilidades físicas com capacidades mágicas. Method é apontada como Maga, mas também recorre à Magia da Deusa, o que, na prática, a coloca como uma espécie de multiclasse entre Magos e Clérigos. Além disso, vemos magos que não ficam restritos a magias de longo alcance e acabam explorando o combate corporal, com Übel e Laufen demonstrando velocidades mágicas em artes marciais. Nesse sentido, os demônios surgem como os maiores exemplos de mistura de caminhos: podem ser interpretados como combinações entre Feiticeiro e Mago, ou entre Feiticeiro e Guerreiro, entre outros cruzamentos. No fim das contas, a obra parece brincar com a ideia de que as fronteiras entre classes não são fixas, e que a lógica humana nem sempre se aplica aos demônios.
Entre as classes citadas ou sugeridas, aparecem também outras possibilidades que alimentam o debate entre fãs. Arqueiro foi citado como um caminho possível para cavaleiros ou guerreiros que desejam precisão à distância, ainda que, em um mundo repleto de magia e monstros, o papel da arquearia possa soar menos central. Ladino/Gatuno aparece no radar de roubo e desarme de armadilhas, com referência a guildas situadas na Cidade Fortaleza de Waal. Alquimistas vêm à tona com poções, testes e até uma característica de Frieren envolvendo um chifre de dragão. Já Mercadores aparecem como um elemento relevante, com presença marcante em redes de comércio e mercado negro. Invocador é discutido como uma possibilidade para invocar criaturas, ainda que pareça um caminho de especialização; por fim, Bardo é citado como uma das possibilidades de interpretação, ainda que sua magia permaneça sujeita a observação.
Mas o tema não fica apenas no benefício de cada classe. Como ficam os demônios? A pergunta aparece na prática, porque, mesmo para os guerreiros mais focados no físico, os Demônios continuam manipulando a magia de modo diferente. Esses adversários usam propriedades mágicas que não se encaixam nas regras humanas, e, para quem se dedica ao estudo, é um lembrete de que a lógica de Frieren não precisa acompanhar as regras tradicionais. Em alguns momentos, a compreensão da magia demoníaca pode exigir uma leitura mais ampla, e algumas de suas memórias — como as de Macht, um dos Grandes Demônios — devem ser vistas como sinal de que a mente demoníaca não opera sob o mesmo eixo mental que a humana. Em outras palavras, a magia dos demônios foge ao padrão humano e, por isso, exige uma nova perspectiva para ser compreendida.
Interessante, não é? A tendência de Frieren em dialogar com esses arquétipos abre espaço para muitas interpretações sobre como uma party ideal poderia se formar, quais habilidades seriam mais úteis em cada missão e como as probabilidades de sucesso mudam conforme as escolhas de cada integrante. A IGN Brasil quer saber a sua leitura sobre o tema — e as suas teorias sobre possíveis subclasses, variações e funções que ainda podem aparecer no anime e no mangá. Afinal, montar uma equipe é tão importante quanto o desafio que ela enfrenta, e cada escolha pode mudar o rumo da história.
Se você curte esse papo, não deixe de acompanhar as novidades e compartilhar suas ideias sobre as combinações mais inusitadas que podem surgir no universo de Frieren. Que mix de classes você enxergaria como o mais eficiente para enfrentar os próximos capítulos da jornada?