Veja a IA que detecta gastos indevidos no Brasil

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Conheça a IA que identifica gastos indevidos no Brasil

Inteligência artificial analisa contas das operadoras de saúde e é capaz de identificar fraudes e gastos indevidos

No Brasil, o setor de saúde suplementar soma mais de 53 milhões de beneficiários em 2025, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar. O crescimento, porém, não vem sempre acompanhado de melhorias reais para quem depende do serviço. Nesse cenário, nasceu a Arvo: uma IA capaz de analisar faturas das operadoras de saúde e apontar inconformidades, fraudes e gastos indevidos, abrindo espaço para uma economia significativa no ecossistema.

“Depois de anos voltados para o setor — eu, com mais de 12 anos à frente de projetos de saúde na América Latina, e o Rafael Tinoco, cofundador da Arvo, com mais de uma década de experiência em tecnologia e saúde — vimos um problema claro de eficiência que coloca em risco a sustentabilidade financeira das operadoras e do próprio sistema”, afirma Fabrício Valadão, fundador da empresa.

Entre 2021 e 2023, as operadoras acumularam R$ 17,5 bilhões em prejuízo operacional, conforme dados do setor. Embora haja sinais de recuperação depois, quase 40% das operadoras ainda fecharam o terceiro trimestre de 2025 no vermelho. Parte desse cenário tem raízes em falhas administrativas e pagamentos indevidos.

Valadão e Tinoco apontam que muitos entraves de acesso à saúde no Brasil passam por processos administrativos manuais, lentos e cheios de inconsistências. A solução criada pela dupla foi a IA que vai além da automação — o que eles chamam de Smart Agents. “Os Smart Agents da Arvo atuam na identificação de inconformidades no processamento de contas médicas”, explica Fabrício, destacando que gastos indevidos nem sempre refletem má intenção: muitas vezes são erros operacionais ou processos mal calibrados.

“É fundamental ampliar o olhar além do termo ‘fraude’. a fraude pressupõe intenção — e, quando identificada, a operadora precisa seguir os procedimentos legais. Mas a maior parte das perdas que vemos no dia a dia não decorre necessariamente de má-fé: são falhas administrativas, cobranças fora dos padrões contratuais sem claro desígnio de dano”, ressalta o executivo. Em um case, a solução identificou mais de R$ 3,6 milhões em economia em apenas um mês. Em outro, a tecnologia evitou 30% dos custos ligados a desperdícios nos primeiros seis meses de uso.

“Conseguimos, conta a conta, detectar cobranças que não deveriam ter sido pagas — erros, abusos, desperdícios e fraudes que passariam despercebidos ou demorariam muito mais para serem achados manualmente”, comenta o CEO. Pela visão da empresa, a economia gerada ao longo de 2025 poderia financiar 16,6 milhões de consultas médicas especializadas, 1,7 milhão de internações ou 2,7 milhões de exames de imagem.

O avanço da inteligência artificial na saúde também passa pela segurança regulatória. Recentemente, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução nº 2.454/2026, que estabelece diretrizes para o uso da IA como ferramenta de apoio à prática médica e à gestão em saúde. A norma reforça que a tecnologia deve atuar como suporte à decisão — e não substituir o julgamento clínico dos profissionais.

Para Valadão, o equilíbrio entre inovação e segurança é o desafio. “A regulação precisa considerar os riscos, mas também garantir que a inovação avance. Ela deve funcionar como facilitadora da adoção de tecnologia, não como barreira.”

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Jornalista

Lucas Almeida

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