Comitê da ONU acusa Trump de discurso racista contra imigrantes

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Comitê da ONU denuncia ‘discurso de ódio racista’ de Trump contra imigrantes

Entidade diz que ‘linguagem depreciativa e desumanizante’ usada pelo presidente dos EUA alimenta violações graves de direitos humanos no país

O Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) emitiu nesta quarta-feira uma análise contundente sobre o tom adotado por Donald Trump e por outros líderes ao tratar de imigração. Em seu parecer, o CERD aponta que o que chamou de “discurso de ódio racista” alimenta violações graves de direitos humanos nos Estados Unidos. A instituição destaca que a linguagem depreciativa e desumanizante contra imigrantes, refugiados e solicitantes de asilo não é apenas retórica, mas combustível para preconceito e abusos.

De acordo com o comitê, essa narrativa retrata grupos vulneráveis como criminosos ou como um fardo para a sociedade, o que, na prática, facilita a intolerância e cria um ambiente que pode incentivar discriminação e crimes de ódio. Além disso, o CERD enfatiza a atuação de agências de segurança que lidam com imigração, destacando que as palavras têm peso real no cotidiano das pessoas.

No estudo, o CERD volta a apontar o ICE — a polícia de imigração — como foco de críticas por uma atuação que, segundo o comitê, demonstra perfilamento racial sistemático. Em vez de investigar com base em suspeitas individualizadas, a prática descrita utiliza raça, etnia, religião ou origem nacional como critério para abordagens, revistas ou investigações. O relatório assinala que o foco recai, principalmente, sobre pessoas de origem hispânica/latina, africana ou asiática, e que controles de identidade arbitrários contribuíram para uma detenção generalizada de refugiados, solicitantes de asilo, imigrantes e pessoas percebidas como tais.

Para deixar claro o peso do tema, o CERD pediu que o governo norte-americano garanta que as supostas violações cometidas pelo ICE, especialmente durante operações em Minneapolis, sejam devidamente investigadas e devidamente responsabilizadas. Além disso, o comitê chamou atenção para as condições desumanas observadas nos centros de detenção de imigrantes, cuja população subiu de 40 mil no fim de 2024 para 73 mil no começo deste ano, com muitos detidos enfrentando assistência médica precária. Segundo o CERD, pelo menos 29 detidos morreram sob custódia em 2025, e outros seis em janeiro deste ano, números que o comitê amplifica como alerta sobre a gravidade da situação.

O CERD, que conta com uma equipe de 18 especialistas independentes, reforça a necessidade de monitorar a aplicação da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. A conclusão é que a administração precisa adotar medidas claras para investigar as violações e responsabilizar quem for responsabilizável, mantendo a dignidade de imigrantes e refugiados em situação vulnerável.

No dia a dia, o que muda para o leitor comum é entender que a retórica pública pode ter consequências reais na vida de milhares de pessoas. E, no fim das contas, discutir direitos humanos não é apenas discutir leis; é refletir sobre como as decisões políticas influenciam a vida de famílias que buscam proteção e oportunidades.

  • Discurso de ódio racista alimenta discriminação e violência contra imigrantes
  • Perfilamento racial como prática institucional no ICE
  • Condições desumanas em centros de detenção de imigrantes
  • Chamado para investigações independentes e responsabilização

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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