Os brinquedos infantis que estão dominando a cabeça dos adultos

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Os brinquedos ‘de criança’ que estão fazendo a cabeça dos adultos

Público mais maduro contribui com crescimento e já molda o setor de brinquedos

Brinquedos não são mais exclusividade da infância. Hoje, o comportamento conhecido como kidults — adultos que redescobrem a alegria de brincar — cola no dia a dia do consumo e ajuda a redesenhar o mercado de brinquedos. De acordo com a Circana, o setor cresceu 7% no último ano, impulsionado por esse público que investe no prazer de revisitar a infância. Na prática, não se trata apenas de nostalgia: é uma equação que mistura descanso à pressão digital com a busca por momentos de leveza. No fim das contas, essa tendência aponta para entretenimento de qualidade, com emissão de bem‑estar incluída no pacote.

Entre os nomes que encabeçam esse movimento, o Lego se mantém como referência inesgotável. Ao longo das últimas décadas, a marca reforçou que adultos são bem‑vindos no universo dos blocos, variando temas e aumentando a complexidade dos conjuntos para desafiar a criatividade. Desde 2020, a empresa passou a lançar séries indicadas a maiores de 18 anos, com cenários históricos, itens decorativos e até mesmo carros de Fórmula 1. Além disso, licenciados de peso — Star Wars, Harry Potter e franquias da Disney — aproveitam a nostalgia dos que já viveram boa parte desses universos. Na prática, é um convite para quem busca descompressão, foco e a satisfação de ver, peça a peça, um sonho de infância ganhar forma.

A carta continua presente no cotidiano de quem gosta de jogos. Além do baralho tradicional ou do Uno, existem versões temáticas com mecânicas variadas que rendem boas sessões entre amigos. Um exemplo marcante é o Coup, jogo de blefe com referências de cavalarias medievais e de universos de cinema, disponível em versões licenciadas. Cada jogador precisa eliminar oponentes usando o poder da própria carta, ou então correr o risco de ser descoberto mentindo. E não faltam opções divertidas como Taco Gato Cabra Queijo Pizza e Dobble, que mantêm o ritmo alto e a diversão garantida em encontros informais.

A paixão por colecionáveis também segue firme como motor de compra. Embora muitos itens permaneçam lacrados, eles exercem grande influência no crescimento do setor. Entre os campeões aparecem action figures, Funko, carrinhos em miniatura, cartas esportivas, Pokémon e, mais recentemente, Labubus. A presença desses itens na lista de afeto dos adultos transforma o negócio, ampliando o tempo de exposição dessas categorias nas prateleiras e alimentando a cultura de colecionismo.

Os jogos de tabuleiro, por sua vez, seguem como peça atemporal de entretenimento. Os clássicos Banco Imobiliário, Jogo da Vida e Detetive resistem ao tempo, mantendo o público fiel, mas as novidades na linha estratégica também ganham espaço. No Código Secreto, equipes tentam transitar dicas sobre palavras para que os colegas adivinhem; o Azul aposta na estética e na organização visual, enquanto Dixty, Catan e jogos de Trivia ampliam a paleta para grupos variados, fortalecendo a socialização em volta da mesa.

Por fim, não é surpresa ver a força dos produtos licenciados nesse ecossistema. Mesmo se espalhando por várias categorias, essa leva representa um músculo relevante para o mercado, crescendo 15% no último ano e respondendo por 37% do mercado global de brinquedos. A série Pokémon lidera esse movimento, seguida por Hot Wheels, o universo cinematográfico e quadrinhos da Marvel, as bonecas Barbie e itens do universo Star Wars. Juntas, essas licenças não apenas sustentam números, como reavivam memórias que atravessam gerações, conectando passado e presente de forma envolvente para o público adulto.

Em síntese, o que se observa é uma mudança de cenário: o público adulto não apenas consome, mas molda tendências, ampliando categorias, criando novas rotas de lazer e tornando o entretenimento uma prática de qualidade no dia a dia. No ritmo da vida contemporânea, brincar volta a ser um refúgio, uma forma de escalar a criatividade, recarregar as energias e — por que não? — realizar sonhos que pareciam esquecidos. E você, já percebeu como esse movimento encontra espaço no seu tempo de lazer?

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Jornalista

Lucas Almeida

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